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“tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber”*

Publicado em 8 de setembro de 2011 em Artigos, Notícias

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Esta frase de Jesus é uma das mais fortes de todos os seus ensinamentos, e das poucas que talvez tenha escapado dos infinitos erros de tradução e interpretação conhecidos historicamente. Sem entrar em detalhes sobre a importância, existência ou não deste personagem. Ou mesmo sobre os evangelhos apócrifos e documentos adulterados. O que quero refletir aqui é sobre o significado destas palavras.

Hoje estamos a cada dia menos preparados para lidar com o nosso semelhante. E cada vez mais centralizados dentro de nosso mundo particular. Os questionamentos sobre quem é o nosso próximo, estão restritos à Filosofia e a sociedade pouco se questiona ou reflete sobre isso.

Nosso próximo pode ser um presidiário, pode ser um deficiente. Pode também ser aqueles animais confinados para uso, como objetos, do capricho humano. Ou quem sabe os pequeninos que Jesus citou em suas parábolas.

Há alguns anos havia um curso que ensinava a entender a linguagem dos animais – uma espécie de ‘telepatia’. Já de pronto, me questionei que se alguém realmente entendesse a linguagem dos animais, com toda certeza ouviria os pedidos de socorro dos bilhões de animais do mundo inteiro:

Os que sofrem nos porões dos centros de pesquisas vivisseccionistas (sobre a pseudo-eficácia dessas pesquisas, muito já foi discutido em outros artigos, de diversos autores), animais criados para o abate, animais selvagens que perdem a cada minuto o seu habitat, o seu alimento, a sua água potável, o cavalo que carrega peso à luz do sol das cidades ditas civilizadas, sob o olhar indiferente da população mortificada.

Estes clamam por comida, água, descanso. Mas, estamos preparados para perceber?

Quem é realmente nosso próximo? Para estes, presidiários, deficientes, mendigos, temos condições de perceber suas dificuldades e ajudá-los?

Frequentemente vejo vagas para deficientes ocupadas por pessoas em perfeito estado de saúde. E com a mesma freqüência vejo os demagógicos gritando contra qualquer centavo empregado na melhoria dos presídios e na melhoria das condições de vida das pessoas mais pobres. É só ver as críticas em cima do Bolsa Família. O valor pago pela bolsa, é o que eu gasto em minutos no supermercado, mas tem hipócrita que acha muito e não suspeita que a miséria seja responsabilidade de cada um de nós. E é.

Enquanto não soubermos quem é o nosso próximo e não refletirmos sobre isso, não estaremos maduros espiritualmente. E é por isso que abomino todo blá blá blá religioso que fala muito, mas na prática condena a todos, até mesmo aos da própria religião.

Quando penso na frase “tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber”* que no contexto denunciava a hipocrisia de quem queria se safar (ir para o céu) apenas bajulando uma divindade qualquer, e ao ouvir tal frase percebeu que o caminho é um pouco mais radical e não tem nada de ‘meio’, ‘brando’, nem fácil, percebo como ainda, após milênios, estamos patinando nesta questão.

Biologicamente temos semelhança genética e parentesco com todas as espécies do planeta. Compartilhamos genes idênticos com baratas, ratos, mas ainda estamos mergulhados no egocentrismo que nos caracteriza, assim como a maldade. Pois uma espécie que tortura outras e até mesmo os da sua própria, tem sim como característica principal a maldade, a indiferença e o orgulho.

Ótimas Sugestões de leitura e bibliografia consultada:

Ricardo Timm de Souza, Ainda além do

medo. Filosofia e antropologia do preconceito,

Porto Alegre, Dacasa, 2002, 75 p.

Ricardo Timm de Souza, Bases filosóficas da bioética e sua categoria fundamental: visão contemporânea. Disponível

em http://revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/viewArticle/104

Charles Darwin, A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais, Companhia das Letras  1872, republicado em 1998.

Carlos Naconecy, Ética & Animais, edipucrs, 2006.

Sônia Teresinha Felipe, Ética e Experimentação Animal, Fundamentos abolicionistas, Editora da UFSC, 2007.

Ezio Flavio Bazzo, Mendigos: Párias ou Heróis da Cultura?, LGE, 210 p., 2009. http://eziobazzo.blogspot.com/

“Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber” Jesus Cristo por São Mateus 25,42, versão da Biblia Online católica.

http://www.universelles-leben.org/portugues/index.html livro: Animals Lament – The Prophet Denounces, Universal Life The Inner Religion, fourth edition, 2006

http://www.chicotenuncamais.org/

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7 respostas para ““tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber”*”

  1. Maria Vitoria disse:

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Um dos mais respeitados diretores de cinema do mundo é também um ativista pela divulgação do veganismo Desde outubro de 2012, quando tornou-se vegano com sua família (relembre), o cineasta James Cameron vem demonstrando ser um importante aliado na divulgação da causa vegana e também um apaixonado voluntário por causas ambientais. Em um importante evento realizado no Canadá, chamado Blue Ocean Film Festival and Conference, Cameron contou sua experiência pessoal em relação ao veganismo e desafiou todos os presentes a confirmarem os resultados por si mesmos, adotando uma alimentação livre de produtos de origem animal (leite, ovos, carnes etc). Como o tema da conferência foi preservação dos oceanos, James Cameron foi direto ao ponto e disse que o primeiro passo para salvar os peixes é simplesmente não comê-los. Parece óbvio, mas é o tipo de frase que realmente surpreende a maioria das pessoas. Mesmo pessoas consideradas ambientalistas muitas vezes não fazem a ligação entre o que há em seu prato e o impacto que isso gera no planeta. Cameron contou que decidiu ser vegano depois de assistir ao documentário Forks Over Knives (Troque a Faca Pelo Garfo), uma produção norte-americana que apresenta os benefícios de uma alimentação baseada exclusivamente em vegetais. Assista aqui, com legendas. Assim que o filme terminou, Cameron foi até a cozinha e jogou fora tudo que tinha ingredientes de origem animal. Desde então, o premiado cineasta que dirigiu filmes como Titanic e Avatar não consome nada que tenha ovos, laticínios, carnes ou qualquer outro ingrediente de origem animal. Se você quer conhecer mais sobre o veganismo, temos um site perfeito para você. É uma página simples e clara onde você pode se informar rapidamente sobre o que é veganismo e pegar receitas e documentários. Acesse www.sejavegano.com.br. Assista a um trecho da palestra de James Cameron. O vídeo foi traduzido e disponibilizado pelo site Camaleão (conheça). | Youtube
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