
Entenda melhor o que é veganismo e comece agora a mudança que você quer ver no mundo
Você já ouviu falar em veganismo mas talvez não entendeu muito bem o que significa ou simplesmente não achou que era o momento de adotar esta filosofia de vida em seu dia a dia, certo? Leia atentamente a lista abaixo e consiga mais informações a respeito. No final da matéria, deixamos um link esclarecedor e um brinde para você baixar de graça. Esta lista cita 11 motivos, mas eles são muitos. Descubra você mesmo.
1. Salva animais dos abatedouros
Se você não compra ou consome produtos de origem animal, a demanda cai e menos animais serão mortos até que, um dia, nenhum animal será assassinado em nome da uma indústria dita “alimentícia”.
2. Protege o meio ambiente
Uma alimentação que não utiliza leite, ovos, laticínios e outros produtos de origem animal evita a derrubada da floresta Amazônica e outros biomas para aberturas de pastos ou plantações de soja. A maioria absoluta da soja produzida no Brasil (estima-se que mais de 90%) é exportada em navios para alimentar porcos, aves e outros animais criados em confinamento para serem assassinados na Ásia e na Europa. A produção de vegetais é muito mais eficiente do que a produção de carne e outros subprodutos. Uma plantação de milho em 100 hectares, por exemplo, pode alimentar cerca de 2.500 pessoas. Se esta área for utilizada para produção pecuária, apenas 8 pessoas serão alimentadas.
3. Protege seu organismo contra o câncer
Não são poucos os estudos que relacionam o consumo de ovos, carnes e laticínios ao aparecimento de diversos tipos de câncer. Entre os principais, estão o de estômago, o de cólon, o de próstata e o de mama.
4. Protege seu coração
Além de proteger contra diversos tipos de câncer, uma alimentação vegana é comprovadamente uma ferramenta poderosa na prevenção de doenças cardiovasculares.
5. Protege pessoas menos favorecidas
Segundo o Ministério do Trabalho, a atividade comercial brasileira que mais emprega mão de obra escrava ou em condições análogas à escravidão é a pecuária. Quando você escolhe cereais, frutas, hortaliças, sementes e outros vegetais de produtores próximos à sua residência, você está colaborando diretamente para um comércio mais justo e evitando a proliferação do trabalho escravo em nosso país.
6. Protege seu bolso
Porque verduras, cereais, frutas e legumes são sempre mais baratos que carne, ovos e laticínios. Embora a indústria pecuária consiga preços incrivelmente baixos para seus produtos – se considerarmos a destruição ambiental e toda a cadeia destrutiva que suas atividades movimentam -, uma alimentação baseada em vegetais é mais barata. Não estamos aqui falando de hambúrgueres vegetais industrializados ou salsichas de soja. Estes produtos, de fato, são muito mais caros do que os que são feitos de animais. Porém, se você e sua família focarem no consumo de alimentos saudáveis e in natura, como os que podem ser comprados na feira, certamente a economia será grande.
7. Salva animais de práticas cruéis nas atividades de entretenimento
Além de não se alimentar de nenhum produto de origem animal, veganos não colaboram com nenhum evento ou estabelecimento que explora animais. Na prática, isso quer dizer que veganos não frequentam zoológicos ou circos que utilizam animais em suas apresentações, além, é claro, de boicotar rodeios, vaquejadas, touradas e outras atividades do tipo.
8. Salva você de ficar comendo a mesma coisa para sempre
É quase unânime: o prato preferido da maioria da população é o famoso arroz, feijão e bife. Ao contrário do que as pessoas pensam, uma alimentação vegana é riquíssima em variedade de sabores e cores. Receitas veganas são facilmente encontradas na internet e já existem centenas de restaurantes pelo Brasil que oferecem preparações livres de ingredientes de origem animal. Quando uma pessoa decide se tornar vegana, automaticamente começa a se informar e conhecer novos sabores e conhece muito mais opções culinárias do que pessoas que ficam naquele famoso prato quase unânime.
9. Emprega mais pessoas e de forma mais justa
É preciso muito menos gente para o manejo de uma boiada do que em uma plantação variada de vegetais. A princípio, pode parecer que, já que não precisa de tanta mão de obra, a pecuária é mais eficiente. Na verdade, proporcionalmente ao número de áreas utilizadas, a pecuária emprega menos pessoas e distribui mal as riquezas geradas com a atividade exercida. Em outras palavras, a maior parte do dinheiro vai para as mãos de poucos latifundiários. Já em hortas, pomares e plantações, especialmente naquelas em que é utilizado o cultivo orgânico, a renda é dividida de forma mais igualitária e socialmente responsável.
10. Faz de você um consumidor mais consciente
As expressões “sustentabilidade” e “responsabilidade ambiental” são grandes conhecidas de todos nós e são comuns na grande mídia. Mas, será que realmente sabemos o que elas querem dizer? Quando uma pessoa decide não mais colaborar com a dor dos animais e com a devastação do meio ambiente, ela consegue enxergar as coisas de outra forma. Gradativamente e sem parar nunca de aprender, consumidores veganos tendem a estar mais bem informados sobre os processos de fabricação e os impactos que todos os produtos que compramos geram.
11. É fácil
Depois de ler tudo isso e chegar até aqui, talvez você esteja concordando que faz sentido realmente ser vegana(o), mas deve estar receosa(o) de quão difícil deve ser não comer queijo ou beber leite ou mesmo deixar de comer churrasco e outros pratos com carne. Toda mudança, no início, pode causar certa confusão. Mas, quando se tem um motivo realmente digno de nossa atenção, as coisas ficam mais fáceis. Saiba que veganos comem churrasco, estrogonofe, coxinhas, sorvete, pizzas e tudo mais que uma pessoa que não é vegana come, só que tudo preparado de uma outra forma, claro.
Vamos tentar? Temos documentários e um livro de receitas como presentes para você
Se você está realmente interessada(o) a ir adiante e adotar o veganismo em sua vida, acesse www.sejavegano.com.br e aprenda um pouco mais. Além disso, lá você baixa um livro de receitas veganas, assiste e baixa documentários gratuitamente e se informa sobre onde ficam os restaurantes que oferecem comida vegana. Tente, você vai gostar de ser vegana(o).
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Um filme para assistir com a família e com os amigos
O filme Making The Connection (Fazendo a Conexão) tem 31 minutos e traz uma série de depoimentos de veganos da Inglaterra. Entre os entrevistados, uma nutricionista, um chef de cozinha e a superatleta Fiona Oakes, que recentemente bateu o recorde da “maratona mais gelada do mundo”, no Pólo Norte (relembre aqui).
O documentário é extremamente agradável e informativo. Desta vez – ao contrário dos documentários que mostram mortes de animais -, o foco são os benefícios do veganismo para os animais, para o meio ambiente e para a nossa saúde.
Making The Connection foi produzido pela Environment Films para a Vegan Society. No Brasil, a legendagem e o lançamento ficaram com a SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira).
Assista ao vídeo | Youtube | Download (281mb / .avi)

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Nesta segunda-feira (22), é comemorado o “Dia da Terra”
A data serve para repensarmos todas as nossas ações para que o mundo seja, de fato, um lugar melhor para todos. O que podemos fazer no dia a dia para que o meio ambiente não seja depredado e como gostaríamos que este mundo fosse?
Seja a mudança. www.SejaVegano.com.br
Leitura complementar
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Matadouros: exploração animal, exploração humana e depredação do meio ambiente
A empresa BRF (Brasil Foods S/A) está novamente envolvida em um escândalo ambiental e social. Desta vez, a empresa que detém as marcas Sadia e Perdigão, entre outras, está sendo acusada de comprar animais criados em áreas de desmatamento ilegal e de colaborar com o trabalho escravo na pecuária.
Além da BRF, mais 25 frigoríficos estão no processo que pede, no total, mais de meio bilhão de reais em indenizações. As irregularidades são diversas, como fazendas em áreas indígenas, áreas gigantescas desmatadas ilegalmente para dar lugar a pastagens e trabalho escravo ou em condições análogas à da escravidão.
Estas são algumas das marcas envolvidas no escândalo (marcas da BRF)

Os maiores problemas foram apontados nos estados de Rondônia, Amazonas e Mato Grosso. Participam da ação o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ibama, o Ministério Público Federal e os Ministérios Públicos do Amazonas e de Rondônia.
Matadouros: exploração animal, exploração humana e depredação do meio ambiente A empresa BRF (Brasil Foods S/A) está novamente envolvida em um escândalo ambiental e social. Desta vez, a empresa que… Saiba mais

Um dos ícones da bancada ruralista assume o papel de quem deveria proteger o meio ambiente
Senador e ex-governador do estado do Mato Grosso, Blairo Maggi é também um dos mais conhecidos devastadores do meio ambiente brasileiro. Durante uma reunião do governo em 2005, Blairo disse: “Esse negócio de floresta não tem futuro.”
Hoje, ele é o presidente da CMA (Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle) do Senado (veja aqui). Parte da bancada ruralista no Senado, Maggi é um dos donos da empresa Ammagi, uma das maiores produtoras individuais de soja do mundo e uma das maiores produtoras do ramo no Brasil. Assim como mais de 90% da soja produzida no Brasil, a maior parte da produção de Blairo vira ração de animais da pecuária. Muito dessa produção é exportada de navio para alimentar porcos, bois e outros animais criados em modo de confinamento em países europeus e asiáticos.
Para produzir tanta soja, o “Rei da Soja”, como é conhecido o senador, foi resposável por metade da devastação ambiental brasileira entre 2003 e 2004, segundo um levantamento do Greenpeace. Em 2005, a ONG concedeu o vergonhoso prêmio “Motossera de Ouro” ao empresário, por seu desserviço ao meio ambiente brasileiro (veja aqui).
Durante a votação do polêmico Código Florestal, quando ambientalistas do mundo todo pediam medidas para proteger as florestas, Blairo disse que o texto estava “muito bom para os produtores de Mato Grosso” e que não precisava de reformas.
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O ViSta-se offline
A cada dia, mais pessoas conhecem o ViSta-se e começam a acompanhar as notícias e contar para amigos e parentes. Mas quantas pessoas não podem ou não querem usar a internet e simplesmente não têm a chance de ler as notícias do ViSta-se?
Por isso criamos a revista experimental “REVISTA-SE – o ViSta-se offline”. Baixe, imprima e ofereça a uma pessoa que você acha que poderia gostar do conteúdo.
Veja a página especial e baixe agora
O endereço para visualizar e baixar o PDF é www.re.vista-se.com.br.
Esta é a #01. Não temos a intenção de fazer da REVISTA-SE algo frequente, mas talvez ela ganhe uma nova edição a cada 6 meses, dependendo da aceitação.
Como todo material gerado no ViSta-se, o acesso às informações da REVISTA-SE é gratuito e a venda é proibida. Se você quiser, pode imprimir várias e distribuir por aí, mas nunca cobrar por isso.
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Mais uma vez, ONU afirma que uma alimentação sem produtos de origem animal é melhor para o planeta
A ONU (Organização das Nações Unidas), através do UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente / PNUMA), divulgou nesta segunda-feira (18) o mais novo relatório ambiental da instituição.
O estudo, intitulado “Our Nutrition World” (Nosso Mundo de Nutrientes), foi lançado em um fórum internacional sobre meio ambiente em Nairóbi, no Kênia.
Liderado pelo professor Mark Sutton, o material foi desenvolvido por 50 especialistas de 14 países diferentes.
Os cientistas da ONU chamam a atenção para o crescimento do consumo de carne e produtos lácteos, principalmente na Ásia e na América Latina. Esse crescimento tem sobrecarregado ainda mais nosso planeta, com demandas enormes de água potável e espaço para criação de animais.
Mais uma vez fica claro que a pecuária não é uma forma sustentável de produzir alimentos
Os especialistas dizem também que a poluição por fertilizantes está colocando em risco a vida das pessoas e o meio ambiente. Mais de 80% do nitrogênio e fósforo utilizados em fertilizantes é consumido pelo gado. As enormes plantações de soja que devastam a Amazônia brasileira, por exemplo, vão parar nas rações de animais criados em sistema de confinamento na Europa e na Ásia e é assim que os animais acabam consumindo os agentes tóxicos.
Para os cientistas que participaram da elaboração do “Our Nutrition World”, se quisermos preservar o meio ambiente e nossa saúde, o mínimo que deveríamos fazer enquanto sociedade é comer metade da carne que consumimos hoje, tendo como ideal uma alimentação livre de proteínas de origem animal.
O novo relatório foi endossado por Achim Steiner, Sub-Secretário Geral e Diretor Executivo das Nações Unidas, que disse: “As nossas decisões diárias podem fazer a diferença.”
Em 2010, a ONU já havia recomendado uma alimentação vegana para o combate à devastação do meio ambiente (leia aqui). No novo relatório, três anos depois, A Organização das Nações Unidas reafirma sua posição quanto a isso.
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A data integra o Calendário Oficial do Estado de São Paulo a partir desta quinta, 10 de janeiro
O Governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin e a Assembleia Legislativa promulgaram a LEI Nº 14.936, DE 9 DE JANEIRO DE 2013, que instituí o Dia Estadual do Vegetarianismo, a ser comemorado, anualmente, todo dia 1º de Outubro.
A notícia foi publicada nesta quinta-feira (10) no Diário Oficial do Estado de São Paulo (veja aqui). A nova lei é resultado da iniciativa do Deputado Estadual Padre Afonso Lobato, do Partido Verde, e a data escolhida é a mesma do Dia Mundial do Vegetarianismo.
Se achar conveniente, entre no site do deputado e agradeça o feito, clique aqui. Se preferir, envie um e-mail para assessoria@padreafonso.com.br.
Abaixo, o texto da publicação feita no Diário Oficial em 10 de janeiro de 2013:
LEI Nº 14.936, DE 9 DE JANEIRO DE 2013
(Projeto de lei nº 400/12, do Deputado Afonso Lobato – PV)
Institui o “Dia Estadual do Vegetarianismo”
O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO:
Faço saber que a Assembleia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:
Artigo 1º – Fica instituído o “Dia Estadual do Vegetarianismo”, a ser comemorado, anualmente, em 1º de outubro.
Artigo 2º – A data que trata esta lei passa a integrar o Calendário Oficial do Estado.
Artigo 3º – Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio dos Bandeirantes, 9 de janeiro de 2013.
GERALDO ALCKMIN
Giovanni Guido Cerri (Secretário da Saúde)
Eloisa de Sousa Arruda (Secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania)
Edson Aparecido dos Santos (Secretário-Chefe da Casa Civil)
Publicada na Assessoria Técnico-Legislativa, aos 9 de janeiro de 2013.

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Um novo marco no ativismo pelos Direitos Animais no Brasil
Idealizado por um ex-grande empresário da pecuária que se tornou vegetariano e ativista social, o curta “A Engrenagem” é uma peça única dentro das ferramentas de maior impacto na divulgação da filosofia de vida vegana. Muito bem produzido e com a participação voluntária do ator Eduardo Pires e da apresentadora Ellen Jabour, “A Engrenagem” promete abalar as estruturas da tal engrenagem, espalhando informações concisas e fundamentais sobre o consumo de produtos de origem animal.
O roteiro de Denise Tavares Gonçalves, a mesma que escreveu o “A Carne é Fraca”, grande sucesso do Instituto Nina Rosa, merece destaque dentro da obra. O texto de Denise realmente faz do “A Engrenagem” um documentário pequeno, completo e necessário.
Sinopse
A discussão sobre o veganismo e seus benefícios ao meio ambiente e ao futuro é extensa e muito mais complexa do que simplesmente parar de comer carne. Envolve a diminuição da poluição atmosférica, a preservação de recursos vegetais e hídricos, e muitas outras questões.
Numa linguagem descontraída, o filme tem a participação voluntária da modelo e apresentadora Ellen Jabour e do ator Eduardo Pires, ambos vegetarianos, e tem o objetivo de alertar e levantar algumas questões como “Você já se perguntou de onde vem nossa comida? Quais os impactos que ela nos traz?”. A Engrenagem responde.
Assista ao filme | Youtube | Baixar (Link direto – Tempo: 16:38 – Formato: .avi – Tamanho: 289mb)
Site oficial do filme | Site do Instituto Nina Rosa | INR no Facebook | INR no Twitter


CRÉDITOS “A ENGRENAGEM”
Idealização
Paulo Vasconcellos
Realização
Instituto Nina Rosa
Apoio
TV Bicho
Com
Ellen Jabour
Eduardo Pires
Artistas participaram voluntariamente
Roteiro e Direção
Denise Tavares Gonçalves
Inspirado em
Story of Styff (A História das Coisas)de Annie Leonard
Estúdio de Animação
Cosmic Cartoons
Direção de Animação
Airon Barreto
Animação
Airon e Jorge Barreto
Produção de animação
Deise Ueda
Edição
João Carlos Landi Guimarães
Música e Sound Design
Thiago Gobet
Produção
Mônica Buava Caliman
Nina Rosa Jacob
Fact Checking
Adriana Conceição
Direção de Fotografia
Bruce Douglas
Iluminação
Alexandre Haroldo do Nascimento
Operadora de som
Amanda Cristina Paulo
Ajudantes
Renato Kokó e Rodrigo Felix
Maquiagem e figurino
Marlene Badaró
Fotografia Making of
Kaio Otis e Karina de Oliveira
Assessoria de Imprensa
Cida Candido
Um novo marco no ativismo pelos Direitos Animais no Brasil Idealizado por um ex-grande empresário da pecuária que se tornou vegetariano e ativista social, o curta “A Engrenagem” é uma… Saiba mais

Um conjunto de fatos sobre o desmatamento e o consumo de carne e outros produtos de origem animal
Por Thiago Fonseca | Comer não é só uma questão de matar a fome. A decisão sobre que comida colocar no prato tem implicações econômicas, ambientais, éticas, culturais, fisiológicas, filosóficas, históricas, religiosas. Neste texto, abordaremos as implicações ambientais da decisão de comer carne.
Se todos fossem vegetarianos, é provável que não houvesse tanta fome no mundo. É que os rebanhos consomem boa parte dos recursos da Terra. Uma vaca, num único gole, bebe até 2 litros de água. Num dia, consome até 100 litros. Para produzir 1 quilo de carne, gastam-se 43.000 litros de água. Já um quilo de tomates custa ao planeta menos de 200 litros de água.
Sem falar que damos grande parte dos vegetais que produzimos aos animais. Um terço dos grãos produzidos no mundo vira comida de vaca. No Brasil, o gado quase não come grãos – graças ao clima, é criado solto e se alimenta de grama. Mas boa parte da nossa produção de soja, uma das maiores do mundo, é exportada para ser dada ao gado que está lá. Outra questão é que a pecuária bovina estimula a monocultura de grãos. Num mundo vegetariano, haveria lavouras mais diversificadas e teríamos muito mais recursos para combater a fome.
E não se trata só de comida. A pecuária esgota o planeta de outras formas. “Para começar, ocupa um quarto da área terrestre e não para de se expandir”, diz o ativista vegetariano Jeremy Rifkin. A pressão para a derrubada das florestas, inclusive a amazônica, vem em grande parte da necessidade de pasto. Entre os danos ambientais causados pelo gado, está também o aquecimento global.
As pessoas deveriam considerar comer menos carne como uma forma de combater o aquecimento global, segundo o principal cientista climático da Organização das Nações Unidas (ONU). Números da ONU sugerem que a produção de carne lança mais gases do efeito estufa na atmosfera do que o setor do transporte.
A Organização da ONU para Agricultura e Alimentos (FAO) estima que as emissões diretas da produção de carne correspondem a 18% do total mundial de emissões de gases do efeito estufa. Esse número inclui gases do efeito estufa liberados em todas as etapas do ciclo de produção da carne – abertura de pastos em florestas, fabricação e transporte de fertilizantes, queima de combustíveis fósseis em veículos de fazendas e emissões físicas de gado e rebanho. O transporte, em contraste, responde por apenas 13% da pegada de gases da humanidade, segundo o IPCC.
Pesquisas mostram que as pessoas estão ansiosas sobre suas pegadas de carbono e reduzindo as jornadas de carro, por exemplo, mas elas talvez não percebam que mudar o que está em seu prato pode ter um efeito ainda maior.
Parar de comer carne sempre foi a bandeira dos vegetarianos. Suas razões eram principalmente a saúde humana e os direitos dos animais. Hoje, o foco mudou. “Agora o meio ambiente pesa na decisão de não comer carne”, diz o biólogo Sérgio Greif, da Sociedade Vegetariana Brasileira.
Um dos mais expoentes adeptos da campanha por menos carne e mais florestas é o biólogo americano Edward Wilson, da Universidade Harvard. Segundo ele, só será possível alimentar a população mundial no fim do século se todos forem vegetarianos. “O raciocínio é matemático”, diz Greif. A produção de grãos de uma fazenda com 100 hectares pode alimentar 1.100 pessoas comendo soja, ou 2.500 com milho. Se a produção dessa área for usada para ração bovina ou pasto, a carne produzida alimentaria o equivalente a oito pessoas. A criação de frangos e porcos também afeta as florestas. Para alimentá-los, é necessário derrubar árvores para plantar soja e produzir ração. Mas, na relação custo-benefício entre espaço, recursos naturais e ganho calórico, o boi é o pior.
O gado tem sido considerado o grande vilão da Amazônia. Hoje, o Brasil mantém 195 milhões de bovinos. Há mais bois que pessoas. Cerca de 35% desse rebanho está na Amazônia. Para alimentar o gado, os pecuaristas desmataram uma área de 550 quilômetros quadrados, o equivalente ao estado de Minas Gerais. Criados livres no campo, sem ração, os bois precisam todo ano de novas áreas derrubadas para a formação de pasto.
A pecuária na região está ligada à ocupação irregular de terras públicas. As terras da região pertencem ao Estado e em sua maioria foram tomadas na forma de posse. “Sem ter de pagar pela terra, fica mais barato produzir lá que no Sul e no Sudeste”, diz Paulo Barreto, do Imazon. Para comprovar a posse da área tomada, o fazendeiro precisa mostrar que a terra é produtiva. “Para isso também servem os bois”, afirma Barreto.
Resultado de cinco meses de trabalho, os números de um estudo coordenado por Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, mostram que, em 2005, a emissão de gases-estufa (GEE) da pecuária representou 48% do total brasileiro. A atividade emitiu 1,055 bilhão de toneladas de GEE sobre 2,203 bilhões do total nacional, número do tão esperado inventário brasileiro de emissões, divulgado só recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
“A diferença desse estudo em relação às abordagens estatísticas tradicionais é que elas dividem as emissões por categorias, e nossa abordagem é pela cadeia de um produto específico”, explicou Smeraldi. “Então ela é transversal, porque envolve uso da terra e fermentação entérica (basicamente, arroto de boi e vaca), por exemplo, processos que estão separados no inventário.”
Um quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. Assim, é a primeira vez que a chamada “pegada de carbono” de um produto específico, no caso a carne bovina, é calculado. Pegada de carbono é a quantidade de gás-estufa liberada direta ou indiretamente por uma certa atividade. “O interessante desses dados é que eles podem começar a traduzir toda a situação para o consumidor, a dona de casa, o investidor”, comentou Smeraldi.
“Essa é a diferença de ter números sobre categorias e números sobre produtos: 1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. É mais do que o custo da própria carne por quilo no atacado (o kg do dianteiro custa R$ 3,60; do traseiro, R$ 5,90)”, disse o especialista.
“Como investidor eu posso raciocinar que, se a carne tivesse que pagar o CO2 que emite, ficaria inviável. Por outro lado, se seguir boas práticas, posso reduzir uma barbaridade essa emissão e vender o CO2 poupado no mercado de emissões por um preço superior ao da carne. Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que vendendo a própria carne.”
No topo absoluto da cadeia alimentar, os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca maciça está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera – o que precisa fazer com que mudemos de hábitos. Alimentar a humanidade – nove bilhões de indivíduos até 2050, segundo as previsões da ONU – exigirá uma adaptação de nosso comportamento.
Mesmo que seja fonte essencial de proteínas, a carne bovina não é “rentável” do ponto de vista alimentar: são necessárias três calorias vegetais para produzir uma caloria de carne de ave, sete para uma caloria de porco e nove para uma caloria bovina. Dessa maneira, mais de um terço (37%) da produção mundial de cereais serve para alimentar o gado – 56% nos países ricos – segundo o World Ressources Institute.
Seria o caso, então, de reduzir o consumo de carne e substituí-lo pelo peixe? Os oceanos não podem ser considerados uma despensa inesgotável, estimou Philippe Cury, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD). O número de pescadores é duas a três vezes superior à capacidade de reconstituição das espécies. No atual ritmo, a totalidade das “espécies comerciais” haverá desaparecido em 2050.
A agricultura, particularmente produtos de carne e laticínios, é responsável pelo consumo de cerca de 70% da água doce do mundo, 38% do uso de terra e 19% das emissões de gases estufa. Espera-se que os impactos da agricultura cresçam substancialmente devido ao crescimento da população e o crescimento do consumo de produtos animais. Ao contrário dos combustíveis fósseis, é difícil produzir alternativas: as pessoas têm que comer. Uma redução substancial de impactos somente seria possível com uma mudança de dieta, eliminando produtos animais.
Um painel de especialistas categorizou produtos, recursos e atividades econômicas e de transporte de acordo com seus impactos ambientais. A agricultura se equiparou com o consumo de combustível fóssil porque ambos crescem rapidamente com o maior crescimento econômico. O professor Edgar Hertwich, principal autor do relatório, disse: “Produtos animais causam mais dano que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. Biomassa e plantações para animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis.”
A diminuição do consumo de carne e leite em todo o mundo levaria, até 2055, a uma redução de 80% das emissões de gases que agravam o efeito estufa no setor agropecuário. A conclusão é de um estudo divulgado pelo Instituto de Estudos das Mudanças Climáticas de Potsdam, na Alemanha.
O coordenador do estudo, Alexander Popp, afirma que “a carne e o leite podem realmente fazer a diferença”. A explicação, segundo ele, é que uma redução no consumo desses itens levaria a uma queda nas emissões de dois dos gases que mais agravam o aquecimento: o metano e o óxido de nitrogênio. Esses gases são lançados na atmosfera durante a fertilização dos campos agrícolas e na produção de ração para alimentar vacas, ovelhas e cabras, entre outros animais.
Dito isso, fica a pergunta: o que você quer fazer com o planeta? Cuidar dele ou devorá-lo?
REFERÊNCIAS
http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/conteudo_120220.shtml
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/09/07/ult4909u5467.jhtm
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EDG77074-6010,00.html
http://terramagazine.terra.com.br/blogdaamazonia/blog/2009/12/10/metade-das-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-do-brasil-vem-da-pecuaria/
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4281337-EI294,00-Terra+e+incapaz+de+acompanhar+ritmo+atual+de+consumo+de+carnes+e+pescado.html
http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jun/02/un-report-meat-free-diet
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,emissoes-estao-ligadas-a-consumo-de-carne-e-leite,573630,0.htm
http://www.greenpeace.org/brasil/Global/brasil/report/2011/11-08-26_An%C3%A1lise%20do%20aumento%20do%20desmatamento%20no%20MT.pdf
Um conjunto de fatos sobre o desmatamento e o consumo de carne e outros produtos de origem animal Por Thiago Fonseca | Comer não é só uma questão de matar a fome.… Saiba mais
Durante os 60 segundos do vídeo, 60 bois, 60 porcos e 10.000 frangos serão assassinados pela pecuária brasileira. Os dados são do IBGE (veja aqui).
Ao contrário da maior parte dos vídeos de campanhas em favor dos Direitos Animais, a nova peça publicitária do grupo NãoMate.org consiste em cenas conceituais sobre o poder que temos de mudar o destino dos animais apenas por nossas escolhas.
As imagens foram captadas no estado do Pará e mostram animais em um curral assustados, à espera do abate eminente. Ao lado, um matadouro típico das cidades do interior, um grande galpão equipado com marretas, cordas e ganchos. Embora pareça um lugar atrasado e fora dos padrões da vigilância sanitária, estima-se que 30% da carne comercializada no Brasil saia de lugares assim.
Com a frase “Você tem escolha, não mate”, o vídeo termina e deixa a questão na mão de quem realmente pode resolver toda essa situação: o consumidor. Ao escolher o que você consome, você usa ou não a marreta que aparece no vídeo.
Faça escolhas veganas, saiba como em www.sejavegano.com.br.
Assista ao vídeo | Vimeo
