
Segundo nutricionista vegetariana, não há nenhuma relação entre o tipo sanguíneo e dificuldades de absorção de nutrientes provenientes de alimentos de origem vegetal
Muito se fala sobre as dietas baseadas em tipos de sangue e também que certos grupos sanguíneos não poderiam ou deveriam ter uma alimentação sem produtos de origem animal, por supostas deficiências de absorção presentes nestas pessoas.
Recentemente, uma matéria assinada pela terapeuta ortomolecular Emília Pinheiro e publicada no site “Educação Física.com.br” chamou nossa atenção. No texto, Emília, que atende em Maringá, afirma que indivíduos com sangue tipo O ou B devem consumir carne para não ter dificuldades em se manter saudáveis. Mais que isso, ela diz que vegetarianos com sangue tipo O ou B podem ter problemas cardiovasculares, ter mais chances de ter diabetes e ter mais facilidade para engordar (leia aqui).
As declarações da terapeuta são tão diferentes dos mais recentes estudos sobre o consumo de produtos de origem animal que pedimos a opinião da nutricionista Ana Ceregatti (CRN 4816) sobre o caso. Ana é especializada em dietas vegetarianas e atende em consultório na cidade de Campinas-SP (mais informações).
Segundo Ana, as declarações da terapeuta ortomolecular Emília Pinheiro são questionáveis. Mais que isso, a nutricionista afirma que qualquer pessoa pode se abster de produtos de origem animal sem danos à saúde, desde que, é claro, tenha uma alimentação balanceada e não baseada em fast food.
Acompanhe abaixo a opinião da nutricionista Ana Ceregatti sobre a matéria do site “Educação Física.com.br”:
“Segundo informações da Pubmed, uma das maiores bibliotecas científicas que temos, o que a terapeuta ortomolecular Emília Pinheiro diz sobre alterações nos níveis da fosfatase alcalina intestinal (FAI) de acordo com o tipo sanguíneo procede, mas não aponta as proteínas animais diretamente.
Os poucos estudos que encontrei falam que os níveis de FAI são mesmo diferentes entre os tipos sanguíneos e que mais estudos são necessários para avaliar o impacto disso na dieta. Daí a afirmar que existe uma relação direta com as proteínas animais existe uma grande diferença.
As proteínas animais são totalmente dispensáveis ao homem e tudo o que precisamos pode ser encontrado em fontes vegetais, sem prejuízo à saúde, desde que a dieta seja bem planejada (ser vegano comendo junk food não dá!).”
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Ataque ao direito de obter informação sobre dietas vegetarianas
Em um ataque ao direito do paciente de obter informação profissional sobre o tem adas dietas vegetarianas, o Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª região proíbe os seus profissionais de recomendarem qualquer restrição ao consumo do leite de origem animal sob pena de sofrerem processo disciplinar, o que pode ser tão grave quanto a suspensão da habilitação para prestar orientação dietética.
O item 3 do parecer determina que:
A restrição ao consumo de leite e derivados somente deve ser feita aos pacientes com diagnóstico clínico confirmado de Intolerância à Lactose, sensibilidade à proteína do leite (Alergia à Proteína do Leite de Vaca – APLV) ou de outras condições fisiológicas imunológicas. Deve-se salientar que o diagnóstico clínico é de competência exclusiva do médico.
De acordo com o parecer, só é permitido ao nutricionista recomendar a abstenção do consumo de leite e derivados quando houver uma doença que justifique essa recomendação. A recomendação não é apenas desatualizada, mas visa claramente atender aos interesses de uma indústria que vem perdendo consumidores na medida em que informações contundentes que condenam o consumo desse produto se tornam mais acessíveis.

Para George Guimarães (www.nutriveg.com.br), nutricionista especializado em dietas vegetarianas, que há 18 anos recomenda o distanciamento do consumo de laticínios “essa recomendação do CRN-3 impede que o nutricionista eduque a população sobre os malefícios do consumo de leite e derivados e impede ainda que o indivíduo seja devidamente orientado caso tenha feito essa opção por motivo ético ou ambiental”.
O item 1 do parecer esclarece que:
O leite de vaca e de outras espécies animais são excelentes fontes de nutrientes e podem fazer parte de uma dieta normal de indivíduos em todas as fases do desenvolvimento, especialmente na infância;
George complementa o seu protesto analisando que “o termo utilizado no parecer quando esse tenta definir a importância dos laticínios na nutrição humana é “podem fazer parte” e não o termo “são essenciais”. Ele foi regido dessa maneira justamente porque é isso o que os laticínios são: uma possibilidade e não uma necessidade dietética. Até aqui o parecer está correto, mas falha mais adiante ao determinar que ‘é proibido proibir’ um alimento que não pode ser considerado essencial ao organismo humano”.
Escreva para o Conselho Regional de Nutricionistas (CRN3)
Escreva ao CRN-3 no endereço crn3@crn3.org.br reivindicando o seu direito de ser orientado dentro da opção por um estilo de vida vegano, que na maior parte é movido pela ética e não por motivos de saúde com “diagnóstico clínico confirmado” como determina o parecer divulgado no dia 19 de setembro de 2012.
O parecer do CRN-3 Restrição ao Consumo de Leite pode ser lido aqui (PDF) ou abaixo:
PARECER CRN-3
RESTRIÇÃO AO CONSUMO DE LEITE
INTRODUÇÃO
O Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (SP, MS), no cumprimento de suas atribuições de orientar e disciplinar a prática profissional dos nutricionistas inscritos, emite parecer sobre a restrição ao consumo de leite. Este parecer foi construído com base no encontro com especialistas promovido no Projeto Ponto e Contraponto e divulga os pontos acordados que devem subsidiar a prescrição dietética do nutricionista.
O CRN-3 ESCLARECE E ORIENTA:
1) O leite de vaca e de outras espécies animais são excelentes fontes de nutrientes e podem fazer parte de uma dieta normal de indivíduos em todas as fases do desenvolvimento, especialmente na infância;
2) A recomendação indiscriminada para restrição ao consumo de leite e derivados não encontra atualmente respaldo científico com nível de evidência convincente e está em desacordo com o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar (2007);
3) A restrição ao consumo de leite e derivados somente deve ser feita aos pacientes com diagnóstico clínico confirmado de Intolerância à Lactose, sensibilidade à proteína do leite (Alergia à Proteína do Leite de Vaca – APLV) ou de outras condições fisiológicas e imunológicas. Deve-se salientar que o diagnóstico clínico é de competência exclusiva do médico;
4) O descumprimento dessa diretriz aponta indícios de infringência ao Código de Ética do Nutricionista (Resolução CFN nº 334/2004), por desrespeito ao Princípio Fundamental, explicitado no seu artigo 1º, e pelo descumprimento do artigo 6º, inciso VI, sujeitando os infratores a Processo Disciplinar e às penalidades previstas na legislação.
Referências bibliográficas
▪ COMINETTI,C.; BORTOLI,M.C.; COZZOLINO,S.M.F. – Leite: Fonte de Proteínas, minerais e vitaminas in: ANTUNES,A.E.C & PACHECO, M.T.B (Org.). Leite para adultos: Mitos e fatos frente à ciência. São Paulo: Varela Editora e Livraria Ltda, 2009, v. 1, p.177-213.
▪ FREIRE,S. & COZZOLINO,S.M.F. – Impacto da exclusão do leite na saúde humana. in: ANTUNES,A.E.C & PACHECO, M.T.B (Org.). Leite para adultos: Mitos e fatos frente à ciência. São Paulo: Varela Editora e Livraria Ltda, 2009, v. 1, p. 229 -238.
▪ INSTITUTE OF MEDICINE, DRIs – Dietary Reference Intakes for calcium, and Vitamin D. National Academic Press, Washington, D.C., 2011. Disponível em: http://www.nap.edu/iom.
▪ Consenso Brasileiro de Alergia Alimentar 2007. – Rev. bras. alerg. imunopatol. – Vol. 31, Nº 2, 2008.
CRN-3
Colegiado 2011-2014
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1461, 3º andar, Torre Sul – Jd. Paulistano
São Paulo – SP
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Dica da nutricionista Ana Ceregatti para o ViSta-se | Para assegurar uma boa ingestão de cálcio, ao longo de 1 dia, certifique-se de consumir pelo menos 2 copos de 200 ml de leite de soja enriquecido com esse mineral e mais 1 a 2 xícaras de vegetais cozidos, como agrião, brócolis, couve, rúcula ou repolho, em cada uma das principais refeições.
Abuse de salsinha, manjericão e coentro e inclua gergelim (como tahine ou gersal) e amêndoas em algumas refeições.
Leia também: De que cor é o cálcio.
Ana Ceregatti
Nutricionista
www.anaceregatti.com.br
www.alimentacaovegetariana.com
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Dica da nutricionista Ana Ceregatti para o ViSta-se | Todo vegetariano, seja ovo-lacto ou vegano, precisa ficar atendo à ingestão de ômega-3, um tipo de gordura importantíssima, que o organismo não consegue produzir sozinho.
Escolha entre 1 colher de chá do óleo de linhaça ou 2 colheres de sopa do grão, inteiro ou moído, que deve ser guardado em geladeira.
Ana Ceregatti
Nutricionista
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Dica da nutricionista Ana Ceregatti para o ViSta-se | Sim, beba água, mas nem todo mundo precisa da mesma quantidade, como comumente se ouve por aí. Calcule cerca de 30 ml por quilo de peso ao longo do dia. E não vale sucos artificiais, refrigerantes e afins. É água mesmo!
Ana Ceregatti
Nutricionista
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Dica da nutricionista Ana Ceregatti para o ViSta-se | As leguminosas (feijões de todas as cores, formas e tamanhos, ervilha, lentilha, grão-de-bico, fave, etc.) têm papel importantíssimo na oferta de proteínas para o nosso organismo, além de serem ótimas fontes de zinco e ferro.
Para deixar a sua preparação preferida muito mais nutritiva, acrescente algas durante o cozimento dos grãos. Pode ser a kombu, wakami, hijiki ou mesmo a nori.
Ah… e não se esqueça de deixar qualquer leguminosa de molho por no mínimo 12 horas e de trocar a água para cozinhá-la.
Ana Ceregatti
Nutricionista
www.anaceregatti.com.br
www.alimentacaovegetariana.com
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O CRN-3 (Conselho Regional de Nutricionistas), que reúne profissionais dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, um dos principais do país, finalmente admitiu, por meio de comunidado digital a seus afiliados (newsletter), que todos os tipos de dietas vegetarianas, incluindo a dieta vegetariana estrita, utilizada por veganos e que exclui todos os produtos e ingredientes de origem animal, são viáveis sob o ponto de vista nutricional.

A ADA (Associação Dietética Americana), órgão sediado nos EUA e um dos mais respeitados do mundo, já recomenda todas as dietas vegetarianas há anos, como você pode conferir aqui.
Confira abaixo, na íntegra, o comunicado do CNR-3 sobre as dietas vegetarianas:
Vegetarianismo
O Conselho Regional de Nutricionistas – 3ª Região, dando continuidade ao Projeto “Ponto e Contra Ponto”, para discussão de diversos temas polêmicos e de interesse para a atuação do nutricionista, divulga o resultado das discussões sobre Vegetarianismo, quando profissionais analisaram as questões nutricionais, sociais e culturais inerentes ao tema.
Nesta discussão, destacaram-se as seguintes considerações:
– os seres humanos são animais onívoros que podem consumir tanto os produtos de origem animal como vegetal. Por sua natureza biológica, o homem pode comer o que quiser. As vicissitudes ambientais, associadas à pulsão de vida vêm determinando as alterações evolutivas nos costumes alimentares;
– vegetariano é aquele que exclui de sua alimentação todos os tipos de carne, aves e peixes e seus derivados, podendo ou não utilizar laticínios ou ovos;
– a alimentação vegetariana é praticada, atualmente, por diversas razões – científicas, ambientais, religiosas, filosóficas, éticas. Estudos científicos demonstram que é possível atingir o equilíbrio e a adequação nutricional com dietas vegetarianas – ovolactovegetarianas, lactovegetarianas, ovovegetarianas e até veganas, desde que bem planejadas e, se necessário, suplementadas;
– a dieta vegetariana estrita (vegana) não apresenta fontes nutricionais de vitamina B12, que deve ser fornecida por meio de alimentos fortificados ou suplementos. Os elementos que exigem maior atenção na alimentação do ovolactovegetariano são: ferro, zinco e ômega-3. Na dieta vegetariana estrita deve haver atenção, além de vitamina B12, para cálcio e proteína;
Diante destas considerações, o CRN-3 RECOMENDA aos nutricionistas para que estejam atentos ao seguinte:
1) Qualquer dieta mal planejada, vegetariana ou onívora, pode ser prejudicial à saúde, levando a deficiências nutricionais.
2) As dietas vegetarianas, quando atendem às necessidades nutricionais individuais, podem promover o crescimento, desenvolvimento e manutenção adequados e podem ser adotadas em qualquer ciclo de vida.
3) Indivíduos com distúrbios alimentares (anorexia nervosa, bulimia, ortorexia e outros), em algum momento da evolução da doença, estão sujeitos a adotar dietas restritivas de qualquer tipo, vegetarianas ou não e devem ser avaliados nesse contexto.
4) A adequação nutricional da dieta vegetariana estrita (vegana) é mais difícil de atingir e exige planejamento e orientação alimentar cuidadosos, incluindo suplementação específica.
Ao nutricionista cabe orientar o planejamento alimentar dos indivíduos, visando à promoção da saúde, respeitando as individualidades e opções pessoais quanto ao tipo de dieta. Aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais da relação entre o indivíduo e os alimentos devem sempre ser considerados, no processo da atenção dietética.
CRN-3
Colegiado 2011-2014
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1461, 3º andar, Torre Sul – Jd. Paulistano
São Paulo – SP / www.crn3.org.br / comunicacao@crn3.org.br
Este parecer pode ser lido diretamente no site do CRN-3
http://www.crn3.org.br/legislacao/doc_pareceres/parecer_vegetarianismo_final.pdf

Leia o que o Dr George Guimarães, nutricionista especializado em dietas vegetarianas, tem a dizer sobre este parecer do CRN-3: Leia aqui.
O CRN-3 (Conselho Regional de Nutricionistas), que reúne profissionais dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, um dos principais do país, finalmente admitiu, por meio de comunidado… Saiba mais

Reconhecida oficialmente pelo Ministério da Saúde, a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), produzida em Campinas-SP, pela Unicamp, é uma ótima pedida para quem gosta de conhecimento. Use-a para comparar a qualidade nutricional dos alimentos. E, sempre que possível, consulte um nutricionista.
Para baixar a tabela, em PDF, clique aqui.
Reconhecida oficialmente pelo Ministério da Saúde, a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), produzida em Campinas-SP, pela Unicamp, é uma ótima pedida para quem gosta de conhecimento. Use-a para… Saiba mais

Alguém pergunta a você: “De que cor é o Cálcio?” – O que você responde?
Errou quem pensou na cor branca. É comum lembrarmos do leite de vaca quando pensamos em Cálcio. A indústria fez um bom loby ao longo de décadas para nos fazer pensar assim. Muita publicidade e subsídios para transformar o leite de vaca em um “alimento” querido por todos.
Veja uma comparação rápida sobre onde conseguir o Cálcio, segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO):
Em cada 100g destes alimentos, você encontra:
Leite de vaca: 123mg
Rúcula crua: 117mg
Brócolis cru: 86mg
Coentro cru: 784mg
Couve crua: 131mg
Couve refogada: 177mg
Uma vantagem importante

Muitas verduras e legumes de cor verde-escura são riquíssimos em Cálcio, e com uma vantagem muito importante: se você optar por ingerir Cálcio de fontes vegetais, vai ficar livre de toda a gordura saturada presente nos alimentos de origem animal.
NOTA: Sempre que possível, consulte um profissional de nutrição. As informações desta matéria não foram elaboradas por um nutricionista. Veja a tabela do ViSta-se com alguns nutricionistas que sabem atender vegetarianos, clique aqui.
Alguém pergunta a você: “De que cor é o Cálcio?” – O que você responde? Errou quem pensou na cor branca. É comum lembrarmos do leite de vaca quando pensamos… Saiba mais
Quem não ama bolinhos de chuva?
Confira a receita do blog Presunto Vegetariano no vídeo abaixo. Esta receita custa cerca de R$ 5,00 e rende mais de 30 bolinhos. Sirva com chá ou café fresquinho. Para ver a receita em texto, visite o blog, clique aqui.
