E as plantas?
[►Enviar para um amigo]maio 2, 2009 em Colunas por Bruno-Mller
por Bruno Müller
Voltando a abordar as questões mais recorrentes que vegetarianos e veganos enfrentam, quero tratar de uma das mais populares entre os onívoros. Uma pergunta que sempre aparece, com variações: “mas e as plantas? Elas também não sentem? Porque devemos ter compaixão pelos animais e não por elas?”
Por mais absurda que seja a questão, e por mais que eu esteja convencido que ela raramente é posta com propósito sincero, vale a pena se debruçar sobre ela, até para demonstrar a desonestidade de quem a coloca. Ela raramente é motivada por uma dúvida sincera sobre a diferença (ou não) nas implicações éticas do uso de animais e plantas por seres humanos. Geralmente é um álibi dos onívoros para justificar seus hábitos: “se não podemos ser éticos em igual medida com animais e plantas, então seria arbitrário poupar apenas um deles, sendo mais lógico e justo vitimar ambos”. Como veremos, há um oceano de distância nas implicações éticas do uso de animais e de plantas. Os pretensos defensores das plantas – que eu jocosamente chamo de “alfascistas” (conjunção de “alface” com “fascista”) – na verdade guardam parentesco com os relativistas e os realistas políticos. Como os primeiros, diante da impossibilidade de justificar seus desvios éticos, buscam apontar o dedo acusador para seus críticos, julgando que os erros que eles também cometem – mesmo que apenas presumidos – eximem-nos de responsabilidade pelos seus próprios erros. Como os realistas, sugerem que a impossibilidade de chegar a padrões mínimos de moralidade e ética não apenas invalidam a busca por estes padrões, como justificam a ação totalmente desvinculada de ambos.
Geralmente a questão vem na forma da afirmação: “os vegetais também são seres vivos”. É aqui que começa a se mostrar a fragilidade de seus “argumentos”. De fato os vegetais são seres vivos. Mas alguns vegetais sequer precisam ser mortos para serem comidos. Tira-se a folha, ou o fruto, e o vegetal continua lá vivo. Também se pode deixar a raiz e o vegetal vai continuar a crescer. Agora, quando se tira o vegetal pela raiz, é inegável, ele morre.
A outra forma mais famosa de confrontar os vegetarianos é dizer: “os vegetais também sentem”. Essa, que na verdade é a questão central, não é de melhor valia para os alfascistas. Aqui entra a questão da senciência, que qualquer pessoa que se dê ao trabalho de investigar as razões do veganismo deveria conhecer. Senciência é o termo que usamos para explicar porque somos veganos. Resumindo, dizemos que os vegetais não têm senciência, ou seja, não sofrem. Agora, algumas pessoas mais bem informadas ou mais espertas ou mais interessadas em nos confrontar, podem alegar que existem estudos sobre a capacidade das plantas de “sentir” a agressividade do ambiente, ou o fato delas responderem a estímulos (como a planta dormideira, que se fecha ao ser tocada). Eis algumas formas de responder estas questões:
1. Os estudos sobre a sensibilidade das plantas são inconclusivos, nunca foram repetidos (pré-requisito para um experimento científico ter validade) e alguns cientistas consideram-nos como verdadeiras fraudes.
2. As plantas não têm sistema nervoso central, logo é impossível para elas sofrerem e sentir dor.
3. As plantas são fixadas na terra; elas não podem fugir de um predador, no máximo ter espinhos; o sistema nervoso e a sensação de dor servem justamente de alerta para que os animais fujam de perigo iminente – se a planta não pode fugir, pra que precisaria sentir dor? Senciência, para elas, é desnecessário; seria mesmo contraditório com sua própria condição.
4. Responder a estímulos não é igual a ter senciência. Até organismos não-vivos como células e proteínas respondem a estímulos. Mesmo que as plantas tenham algum tipo de sensibilidade, ela seria muito diferente da senciência dos animais. Mesmo os estudos que tratam da sensibilidade das plantas constatam isso. Elas podem ter mecanismos de defesa, atração, estratégias de dispersão de sementes ou mesmo captura de presas. Mas nada indica que elas experimentem dor ou sentimentos.
5. É provado que podemos viver sem explorar, matar, comer animais. Mas podemos viver sem plantas? Lembrando que usamos plantas não só na alimentação, mas para fazer várias outras coisas, desde produtos de higiene e limpeza, medicamentos, até roupas e utensílios domésticos e móveis. Viver sem usar plantas, se não for impossível, exigiria que voltássemos a viver na selva. No caso das plantas, portanto, pode-se alegar com muito mais propriedade que nossas vidas dependem dela – o que não é de modo algum verdadeiro no caso dos animais não-humanos.
6. Se a pessoa ainda assim acha que não há diferença entre usar plantas e animais – e acredite-me, ela só dirá isso se estiver competindo, e não dialogando, pois qualquer pessoa com bom senso (não precisa nem inteligência) é capaz de perceber a diferença – então pode-se dizer duas coisas:
6a. Podemos optar por causar mais dano ou menos dano. É sempre preferível, quando o dano é inevitável, causar menos dano. Creio que qualquer pessoa, a menos que seja nazista ou coisa parecida, terá que concordar com este princípio. E o fato indiscutível é que comer e usar plantas diretamente causa menos dano, porque se temos que infligi-lo, e podemos optar em fazê-lo a animais E plantas ou só a plantas, o melhor a fazer é causar dano só às plantas. Até porque, afinal, os animais também comem vegetais e derivados, e um boi, alguns porcos ou muitas galinhas comem muito mais vegetais do que um ser humano comum. Se considerarmos o tanto de animais para consumo que existem no planeta, veremos quantas toneladas de vegetais nós lhes damos para os comê-los depois, o que será revertido numa quantidade bem menor de carne, que além de tudo é um alimento mais pobre. Aqui percebe-se como até de uma pergunta banal, provavelmente debochada, pode-se extrair uma reflexão relevante. Se esse interlocutor hipotético acha mesmo que devemos consideração às plantas, ainda assim teria de ser vegetariano: produz-se e consome-se muito menos plantas se nos alimentamos diretamente delas, causando, conseqüentemente, menos dano não só aos animais, mas às próprias plantas e a todo o ecossistema. Tantas plantas sendo dadas a animais é desperdício de comida e uma pressão extra sobre as florestas remanescentes. É mais racional, sob todos os aspectos, alimentar-se diretamente de fontes vegetais. Além de poupar os animais, desse temos mais excedente de alimentos (ajudando no combate à fome, que é um fenômeno político) e ajudamos a reduzir a dependêndia da importação de alimentos e a derrubada de florestas.
6b. Se, em todo caso, a pessoa DE FATO se preocupa em poupar a vida dos vegetais, ela tem a opção de adotar o frugivorismo (frutos e frutas), que embora restrito e requeira muito cuidado, é viável. Não há, sob qualquer prisma, em qualquer sistema de crenças, qualquer dilema ético na alimentação frugívora, afinal, as frutas não são seres vivos, são parte do sistema reprodutor dos vegetais, e EXISTEM PARA SEREM COMIDOS, pois é ao comê-los que os animais espalham as sementes dos vegetais, permitindo assim que nasça uma nova geração deles. De todo modo, a maior parte da nossa alimentação se dá pelo consumo de sementes, frutos, tubérculos, leguminosas… Muito pouco do que a gente come tem que ser “morto”. Mas daí cabe a ressalva do que mencionei no item 5: para ser coerente, o “frugívoro ético” não pode usar nenhum produto de origem vegetal, que é justamente o que os veganos fazem em relação aos animais, e este seria o verdadeiro “dilema ético” de usar vegetais.
Quem quiser saber mais sobre os estudos sobre a sensibilidade das plantas e sua contestação: <http://brazil.skepdic.com/plantas.html>
Quis ser o mais abrangente possível neste texto, para dar argumentos aos vegetarianos confrontados com essa “pegadinha” dos onívoros. Minha experiência mostra que raramente precisamos usar todos esses contra-argumentos. Depois de um ou dois deles, as pessoas desistem de nos questionar, diante da fragilidade de seus próprios “argumentos”.





Muito bem explorado o tema. Mais uma pergunta clássica dismistificada.
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Otimo, parabéns, só não sei quem escreveu, ou não tem ou sou lesado mesmo!
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Muito bom! Quem escreveu?
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Sensacional… quem me dera estar com esse texto na ponta da língua em todas as vezes que algum desgraçado fez essa pergunta!
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Ai, Bruno! Só você mesmo para ser generoso assim!… Escreve e não assina! Vou pegar esse texto excelente e publicar nos meus “evangelhos apócrifos”! haahuahuhauahu
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Hummm… não sei porque a matéria não saiu assinada. Mas vou logo esclarecendo: é meu, Bruno Müller. E o Rafael, esse safadinho, já vai logo se assanhando e querendo roubar meu texto… Cuidado, Rafa, que processar gaúchos é a minha especialidade!
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Olá Bruno, adorei o texto, achei ótimo os argumentos.
Gostaria de deixar uma dica, existe um livro: A vida secreta das plantas.
Foi um trabalho feito por dois cientistas, falando sobre a sensibilidade das plantas; não sei se você conhece o livro, mais fica como dica.
Parabéns mais uma vez!!
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Muito bom o texto!
Parabéns!
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excelente texto.
Em tempo : o livro “A vida secreta das plantas” já a um certo tempo é reconhecido como “fraude científica”, na verdade, os experimentos continham alguns vícios científicos e nunca puderam ser reproduzidos… Uma “experiência” bem legal sobre o assunto foi levada ao ar pelo pessoal do “myth busters” , do discovery channel… claro, que eles mostraram que as plantas não “sentem nada”…
Gostei muito da matéria. Vale a pena ler o outro lado da moeda, tem um texto (que não concordo, mas vale a pena ser lido) da Simone Nardi no site da Pensata Animal :
http://www.pensataanimal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=252:as-plantas&catid=118:simonenardi&Itemid=1
E fugindo um pouco do comentário em si, bem que o site http://www.pensataanimal.net poderia estar na seção de links recomendados ! Muito texto de qualidade, texto reflexivo, filosófico, etc…
Abs fraternos !
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mas é claro que está assinado, nem vc viu, bruno?
no alto do texto:
por Bruno Muller
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É que eu adicionei depois, Pedro Paulo.
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Adorei o texto, o problema é quando é uma pessoa que também não gosta de plantas e só faz esse tipo de pergunta para te testar querendo afirmar que vegetariano são odiadores de plantas.
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vcs são comédia . já que faltaram as aulas de biologia da escola e perderam o tópico cadeia alimentar ainda da tempo . Assistam national geo e enenderão. a vida é assim . é foda mesmo. mas é a vida! vaca come grama , leao come vaca e ser humano come tod mundo. e no fim os fungos e bac comem a gente.ou entao vamos fazer o movimento de concientização dos fungos e bac… kkkkkk é foda mesmo
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Parabéns!!Adorei o texto!Muito bom!
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Se as plantas não tem capacidade de sentir como afirma o texto ou é “Inconclusivo”como sugere o autor eu lanço uma pergunta e uma informação.
Como a planta sente se é dia ou noite para realizar a fotosíntese ? lembrando que é o estímulo da luz que faz a planta ativar os processos bioquímicos da fotosíntese.
Sugiro ao autor se informar melhor lendo o artigo da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo FAPESP reconhecida MUNDIALMENTE pelas pesquisas no seguinte link:
http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=5495&bd=2&pg=1&lg=
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Arthur:
Obrigado pelo link. Há uma enorme diferença entre a planta ser capaz de diferenciar dia ou noite e ela ser SENCIENTE, ou seja, ter sensações psíquicas, experimentar dor ou prazer, interpretar estímulos (e não apenas reagir a eles).
Ninguém até hoje demonstrou ser possível ter senciência na ausência de sistema nervoso – sendo as células nervosas a responsável por este atributo nos animais. Ou seja, se houver senciência nas plantas (que nossa vã filosofia seja incapaz de detectar), ela se dará por um processo totalmente diverso. Meio improvável…
Abraço.
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Sr. Bruno Müller,
Parabens pelo texto bem discorrido, mas segunda sua propria logica, voce tambem é um alfascista. Pela propria condicao humana, dependemos de seres vivos para viver. Dizer que um ser vivo é mais digno que outro por nao se locomover ou nao produzir sons, justificando se alimentar dele, baseado em teorias que tambem nao tem comprovacao, como quando diz que planta nao tem sistema nervoso ou nao “precisa sentir dor”, acaba gerando argumentos fracos e pessoais.
Por favor, acesse o site: http://ds9.botanik.uni-bonn.de/zellbio/AG-Baluska-Volkmann/plantneuro/index.php e vera o quanto a ciencia esta evoluindo no sentido de mostrar que plantas possuem sistema nervoso sim. Nao é porque a ciencia ainda nao pode explicar algo com detalhes, que isso nao seja verdade.
Agora falando de verdades universais, sabemos que os seres humanos precisam se alimentar de seres vivos. Infelizmente ainda nao dispomos de tecnologia para sintetizar nosso alimento de forma artificial.
Na minha opiniao um ser vivo nao é mais digno que o outro e acho um argumento muito fraco dizer que se pode comer plantas, fungos ou outros seres vivos pois eles sao inferiores aos animais. Todos seres vivos sao igualmente dignos.
Da mesma forma quando fala que nao existe morte das plantas, deveria se vestir, estudar e aprender. Em linguagem simples, as sementes nada mais sao do que “bebes”, comparando com animais, sao seres vivos, como qualquer outro. Na sua comparacao com comer frutos, ocorre o mesmo de quando enjaulamos uma galinha para comer seus ovos, ou uma vaca para pegar o leite. Os animais nao morrem, mas ficam confinados a vontade humana. O mesmo ocorre em um pomar de frutas.
O que fazemos com as plantas? Eliminamos as que nao nos interessa e escravizamos as que queremos. Nao deixamos que as plantinhas se espalhem naturalmente, delimitamos aonde e quando elas podem crescer. Comemos seus bebes. A exploracao nao é muito diferente dos animais, a unica diferenca que as coitadas das plantas nao fazem cara de coitadas.
Concordo que sempre o sofrimento e exploracao da vida deve ser minimizada, mas pela propria condicao humana, infelizmente ainda nao podemos evita-la.
Respeito quem apenas come vegetais, mas acredito que voces tambem devam respeitar os onivoros, em especial os que acreditam que todos os seres vivos tem a mesma dignidade e seria preconceito explorar um em detrimento do outro.
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Caro Renato:
Obrigado pelos comentários, mas acredito que houve alguns mal-entendidos. Em primeiro lugar, eu não disse que plantas não morrem. Muitos alimentos derivados de vegetais não necessitam da morte das mesmas, isso sim. As frutas, aliás, são especialmente desenhadas para serem consumidas e, assim, espalhar as sementes das plantas. É a estratégia de reprodução das mesmas. No caso de consumir diretamente vegetais, eu concordo que seria uma posição “análoga” ao bem-estarismo. Costumo dizer, brincando, que sou a favor do bem-estarismo vegetal. Mas, no caso das frutas, nem o conceito de bem-estarismo se aplica. Sua comparação com ovos das galinhas, portanto, é absurdo não apenas em escala, mas em natureza. Ovos não são produzidos para ser comidos, frutas sim.
Quanto a dizer que há seres superiores, eu igualmente jamais afirmei isso. As plantas são qualitativamente diferentes dos animais. Eu não disse que um é maior que o outro.
Por fim, seus argumentos de modo algum ajudam a sua causa. Como eu disse antes, se vegetais forem sencientes, daí não resulta que é correto comer animais. Decorreria, do contrário, que ambos devem ser considerados por nossas ações morais. Não obstante, a discussão ética acerca das plantas traria muitas outras questões à baila, que não estão em xeque pela questão animal. Com isso não estou desmerecendo o argumento de que plantas podem ser sencientes. Estou apenas desqualificando com escapista e hipócrita a conclusão que você tira dessa suposição, como álibi para defender um hábito para o qual você claramente não tem argumentos lógicos ou racionais para justificar ou sustentar.
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Caro Bruno,
A ideia das frutas e bem-estarismo vegetal nao corresponde a realidade. Isso seria possivel se coletassemos as frutas na natureza, ou seja, se a planta tivesse se estabelecido naturalmente, ou comparando com animais, por “vontade propria”. Fazemos os pomares de forma artificial. Exterminamos as plantas que nao queremos, escravizamos as que nos servem. Temos controle total sobre suas vidas, escolhemos quando, aonde e como elas podem crescer. Nao tem diferenca do que fazemos com os animais.
A essencia do meu texto, eh dizer que o que fazemos com as plantas nao eh diferente do que fazemos com os animais. A unica diferenca que a percepcao humana eh mais sensivel a ter compaixao de organismos que sao mais parecidos com a gente.
Comparando fruta com o ovo, um ovo nao fecundado nao tem utilidade biologica, seria decomposto de qualquer forma. Se nao fosse para ser comido, nao seria palatavel. O paladar co-evoluiu com o sistema digestorio, logo se algo eh saboroso, significa que nosso organismo pode se alimentar disso. Somos onivoros por natureza, durante a evolucao a cadeia alimentar nos colocou nessa condicao. Voce pode nao comer produtos animais por opcao propria, mas nao pode dizer que comer produtos animais eh um processo anti-natural.
Um ovo nao fecundado nao eh um ser vivo. Se eh saboroso, significa que co-evoluiu servindo de alimento para outros animais. Qual eh o problema do ovo entao? Que para nao ser fecundado, as galinhas precisam ser separadas dos galos. Precisam ser aprisionadas a vontade humana. O mesmo ocorre com uma fruta. Nao coletamos as frutas na natureza para espalhar suas sementes. Plantamos elas em pomares, da mesma forma escravista. O que fazemos com as sementes apos comer a fruta? Jogamos no lixo, ou fazemos novas plantas escravas. Em ambos os casos distorcemos a natureza para nossa vontade propria. A fruta que compramos no supermercado, nao eh a mesma fruta livre, que evoluiu para disseminar as sementes. A fruta que compramos no supermercado eh uma fruta selecionada ao consumo humano, que nao tem como objetivo disseminar a sementes, mas sim servir de alimento ao homem. Nao eh um processo mutualistico, que o homem se alimenta e a planta se beneficia da dispersao da semente. O homem come o fruto e so usa a semente se lhe interessar. Nao faz sentido dizer que comer uma fruta eh mais digno do que comer um ovo.
Quanto a afirmacao que algumas plantas coletamos as folhas. Alguns animais sao capazes de se regenerar. Entao podemos cortar um pedaco dele e esperar regenerar para comer outro pedaco? O comentario eh um absurdo, apesar de tecnicamente possivel, mas serve para fazer um teste de percepcao. Temos a tendencia de colocar os animais em patamar superior aos demais organismos.
Gostei do termo Alfacismo, tambem pode ser usado para fazer referencia a inferiorizacao dos vegetais para tornar os animais superiores, mais dignos. Sao seres diferentes, mas nao eh possivel dizer que um eh mais digno que outro.
Nao conheco nenhum vegetariano que colete frutas na natureza e jogue as sementes em seus habitats naturais. A grande maioria das hortalicas sao mortas na hora da preparacao do alimento. Soja, feijao, arroz, milho, qualquer outro grao eh um ser vivo, um “bebe planta”, todos tambem sao mortos para a alimentacao humana.
Faz parte da essencia humana se alimentar de seres vivos. Pelo tamanho atual das cidades e populacao se torna impossivel que voltemos a ser nomades. Ainda nao temos tecnologia para sintetizar alimento de forma artificial. Tanto animais, como plantas, como fungos, como outros organismos sao cultivados pelo homem de forma semelhante.
O ponto eh que a visao antropocentrica do homem tendenciona a termos mais compaixao de organismos mais parecidos com a gente, e existe a tendencia de considerarmos organismos diferentes quase como se fossem inanimados, como se nao fossem seres vivos.
Vegetarianos devem continuar sendo vegetarianos, mas penso que devam ter a consciencia que estao comendo um ser vivo, como qualquer outro. Animais, plantas, fungos e outros organismos possuem a mesma dignidade. Nao eh porque uma planta nao eh parecida com um ser humano, que ela pode ser tratada como um objeto, como fez em seu texto.
Infelizmente, o que existe é um alfacismo dos vegetarianos, desvalorizando os vegetais para colocar os animais em um patamar mais elevado, e usando esta logica para preconceituar e discriminar os onivoros.
A condicao humana depende da alimentacao de seres vivos, devemos ter esta consciencia e o mesmo respeito, tanto pelos animais quanto pelas plantas.
O habito alimentar dos onivoros eh tao digno quanto o dos vegetarianos.
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Prezado Daniel: seus comentários têm alguns erros conceituais e interpretativos graves, mas típicos de todo e qualquer onívoro. Não sinta-se, portanto, atacado pelas minhas palavras. Não vou entrar numa discussão viciosa com você. Se tivesse mais tempo até seria divertido, mas ele me anda muito escasso, tanto que interrompi temporariamente minha colaboração com este site.
Apenas uma consideração básica que eu esqueci na mensagem anterior: SEMENTES NÃO SÃO BEBÊS. Isso é um dos absurdos que vão entrar pra minha lista das 10 desculpas mais ridículas dos onívoros. O análogo (atenção para “análogo”) de bebês em plantas seriam os brotos. Semente e sêmen não tem a mesma raiz à toa – fica a dica. Depois vocês alfascistas acusam a NÓS veg(etari)anos de antropomorfismo…
Um abraço.
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Claro que sementes nao sao bebes, se nao nao seriam chamadas de sementes. Animais e Plantas sao organismos nitidamente distintos, analogias jamais serao perfeitas ou exatas, mas eh uma boa forma de comparacao para pessoas leigas. Polem seria o “semen” masculino, flores tem os “ovulos” em seus ovarios. Sementes sao resultados do desenvolvimento dos ovulos fecundados. Fazendo analogia aos animais as sementes estariam entre os fetos e bebes. Depois que germinam sao chamados de plantulas (juventude/puberdade animal) e quanto adultas sao chamadas plantas.
Mas nao é esse o ponto principal do meu texto. O ponto que plantas sao seres vivos como quaisquer outros, o que existe é falta de percepcao de alfacistas como voce, querendo minimiza-las, trata-las como um objeto nao vivo, para entao poder justificar o nao consumo de carne. Seria mais nobre dizer que tem pena dos animais e pronto. Nao precisa ficar encontrando justificativas pseudo-cientificas para nao comer animais.
Ambos, vegetarianos e onivoros estao corretos, nem um é melhor que o outro, é questao de liberdade de escolha. O que nao é justo é o preconceito dos radicalistas contra o direito de opcao das pessoas, tentando arrumar justificativas pseudo-cientificas para cultivar esse preconceito.
Alfacismo é querer impor o vegetarianismo a todos, independente da liberdade individual de escolha das pessoas.
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Ps: Precisa melhorar seus conhecimentos de biologia, mesmo se olhar no dicionario Aurelio, vera que broto corresponde a um orgao da planta e nao uma fase da vida dela. “1.Bot. Cada novo órgão em desenvolvimento de uma planta.”
Como historiador deveria aprofundar seus textos vegetarianos dentro de sua area, nao fazer textos com argumentos pseudo-cientificos para incrementar preconceito entre as pessoas.
Como falei, alfacismo é querer impor o vegetarianismo a qualquer custo, inclusive utilizando-se de argumentos pseudo-cientificos, fazendo listas manipuladoras e divulgando informacoes a populacao sem ter o minimo de formacao necessaria.
Biologicamente, culturamente e historicamente, ambos, vegetarianos e onivoros estao corretos, nem um é melhor que o outro, é questao de liberdade de escolha.
Errado é usar de pseudo-ciencia para manipular a liberdade de escolha das pessoas, um direito humano basico.
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Tambem nao tenho muito tempo para gastar em Posts de internet, talvez por isso algumas coisas nao tenham ficado claras ou nao tenham sido colocadas da forma mais apropriada. Tambem foquei mais em contestar os textos do que expor as informacoes, o que foi um erro. Mas se me disponibilizassem um espaco no site eu poderia gastar o tempo necessario para fazer um artigo tecnico, didatico, revisado e referenciado, tentando explicar melhor o lado das plantas.
Mas, na verdade, acabei voltando aqui varias vezes pois teve algo que me deixou bastante preocupado. A mesma garota que me passou o link deste artigo depois falou que queria pichar os muros da Perdigao, entre outros comentarios estranhos, o que mostrou um lado bastante preocupante sobre estas questoes.
Alguns radicalistas estao colocando as coisas, como se existisse uma guerra entre vegetarianos e nao vegetarianos. Mesmo quando usam o termo onivoro, mostra a preocupacao no cultivo dessa richa. O ser humano é onivoro por natureza (herbivoro por opcao), ninguem usa esse termo no cotidiano. Ninguem chama um vegetariano de herbivoro. Parece que sao pequenas coisas que querem somar para aumentar diferencas e preconceitos.
A partir do momento que usa em seu texto frases como “é um álibi dos onívoros para justificar seus hábitos”, ou quando faz uma “lista das 10 desculpas mais ridículas dos onívoros”, fala como se fosse errado as pessoas terem seu direito de escolha.
Ninguem precisa de “desculpa” para comer carne, assim como ninguem precisa ficar buscando justificativas pseudo-cientificas para ser vegetariano. Sao apenas escolhas que as pessoas fazem e ninguem esta errado por escolher uma ou outra opcao. Pelo contrario, o que deve existir é respeito entre ambas as partes.
A partir do momento que cria termos como “alfacistas”, tambem esta incentivando richas e preconceitos. Pessoas que voce chama assim obviamente vao querer revidar, crescendo a intolerancia. Eu mesmo cai nessa provocacao.
Com atitudes assim estao gerando um apartheid, e isto me da medo.
Biologicamente, historicamente e culturalmente, tanto nao vegetarianos quanto vegetarianos estao corretos, nao existe motivo para richas e preconceitos.
Voce deve continuar defendendo sua causa, mas deixo minha sugestao que tome mais cuidado ao falar de assuntos nao relacionados a sua formacao, e, principalmente, que mude seu discurso para um tom que respeite a liberdade de escolha das pessoas e que nao incentive o preconceito e a discriminacao.
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Eita Daniel. Preocupada estou ficando eu contigo com essa estoria dos bebes sementes.
Eu ainda não entendo qual a lógica de defender uma causa e agir de forma diferente.
Fica tranquilo que eu estava apenas comentando como seria legal uma pixação naquela parede.
Eu fico agoniada e desesperada quando chego aqui e tenho que ouvir o tempo todo os gritos de animais sendo escaldados. Acho isso um horror e uma covardia.
Gostaria que as pessoas pensassem nisso. Já que (como vc mesmo disse) todos os seres vivos são dignos de respeito, porque alguns não são respeitados?
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Como disse, é uma questao de percepcao. Sementes sao seres vivos como quaisquer outros. Coitada das plantas que nao fazem cara de coitadas, nem fazem barulho, quando sao cortadas ou esmagadas nas industrias.
Minha causa é defender a verdade, e a verdade que nessa questao o que vale é a liberdade de escolha das pessoas. Biologicamente, historicamente e culturalmente, tanto nao-vegetarianos quanto vegetarianos estao corretos, nao existe motivo para richas e preconceitos.
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eu entendi direito, gritos de animais sendo escaldados? Acho bem oportuno pesquisarem uma linha de abate industrial, como desta empresa citada que é uma das maiores do mundo, produzindo alimentos, de origem animal sim, porém dentro dos preceitos de bem estar animal, definidos pelas diretrizes das normas internacionais, que incluem como pré requisito o bem estar animal, portanto, opatr por ser vegetariano, não lhes permitem generalizar maus tratos, condições inadequadas de produção, assim, seria dizer que todos os humanos são meramente iguais,nem todos tem atitudes despreziveis com os animais, e inclusive na hora do abate!Estamos numa busca insessante para amenizarmos e melhorarmos nossos sistemas de produção animal,e muito foi melhorado, e temos muito a melhorar, acredito mesmo nisto, mas pessoal, vamos nos respeitar, respeitar os animais, respeitar a natureza, ela como um todo, cada ecossistema tem sua função, e cada um depende do outro!Obrigada!
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Ola Bruno ,, dei uma olhada nos textos que escreveu e goatei muito.
Se não me falha a memoria ,, vc esteve aqui no restaurante esses tempo é vero?
Parabens !! ë bom compartilhar nossa comida com pessoas interessadas no movimento vegetariano . e pessoas que tem senso critico para com as coisas.
Abraços rafa
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Vejo que o Sr. Daniel. Lammel é expert em falácias. Apoderar-se da palavra “verdade” com argumentos tão incoerentes é, no mínimo, risível e vergonhoso.
Se devemos dar o mesmo direito à vida para as plantas (e eu até concordo neste ponto!), muito menos sofrimento e mortes causaremos se nos alimentarmos diretamente delas (e ainda menos sofrimento ainda se basearmos nossa dieta em seus frutos) já que são necessários mais de dez quilos de plantas para “produzirmos” um quilo de carne, que também causará a morte de um animal – isso sem falar das mortes colaterais causadas pela pecuária, como a morte da vegetação e fauna nativa para dar lugar a pastagens e plantações de grãos para alimentar os animais, mortes de peixes pela poluição de rios, morte de humanos pelas doenças derivadas do consumo de produtos de origem animal quimicamente contaminados (hormônios, anti-bióticos, mercúrio no caso dos peixes), dentre outras mortes, e que seriam drasticamente reduzidas se a humanidade adotasse uma dieta vegana. Só não admite que a alimentação vegana é muito menos cruel com todos os seres vivos (inclusive com os próprios humanos) e com o meio ambiente (que é a nossa “casa” e provedora de nossa sobrevivência!) quem não abre mão do seu “churrasquinho” por razões hedonistas e egoístas.
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