Entrevista com a estudante Juliana Itabaiana
[►Enviar para um amigo]maio 26, 2009 em Artigos por Fabio Chaves

Publicada originalmente no site InternicheBrasil em 26 de maio de 2009
A estudante Juliana Itabaiana de Oliveira Xavier, de 23 anos, conseguiu recentemente na justiça o direito de não assistir aulas experimentais com animais. Seu caso está tendo uma grande repercussão no Brasil, levantando a questão da objeção de consciência como instrumento de defesa dos direitos estudantis e, indiretamente, dos animais. A liminar foi concedida no dia 6 de maio pelo juiz Andriano Saldanha Gomes de Oliveira, da 11ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Juliana, que é estudante de ciências biológicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é também vegetariana, e logo que entrou na universidade fez um requerimento pedindo dispensa das aulas de zoologia, e teve seu pedido negado pela UFRJ. O caso será analisado pelo Conselho de Ensino e Graduação e pela Procuradoria Geral da instituição.
Confira, com exclusividade, a entrevista que a InternicheBrasil fez com a estudante:IN: O que primeiramente a motivou a recusar as práticas com animais?
Juliana: O que me fez recusar essas práticas foi o entendimento de que não é preciso matar para estudar. Na minha universidade não existem aulas de vivissecção, o que acontece são dissecações para o estudo de anatomia. Não temos aquelas aulas clássicas de fisiologia, em que os animais são abertos vivos. No entanto, não concordo que a cada semestre mais e mais animais tenham que ser mortos para que possamos aprender anatomia.
IN: Na sua opinião, o estudante precisa ser vegetariano para não concordar com tais práticas?
Juliana: Não acho que seja uma necessidade. Acho que é possível que o estudante se sensibilize com as aulas sem que tenha refletido previamente sobre o assunto. Apesar de que, todos que conheci que não gostavam e que não participavam das práticas por esse motivo, eram vegetarianos.
IN: Como você tomou conhecimento do recurso da objeção de consciência e como você procedeu com seu pedido?
Juliana: Na verdade eu já conhecia esse recurso antes de entrar para universidade. Comecei a pesquisar sobre esse tema logo que me tornei vegetariana (há dois anos e meio), depois de assistir ao documentário “Terráqueos”. Ao longo do primeiro período eu simplesmente conversava com os professores e nenhum deles se opôs fortemente, alguns discordavam, conversavam comigo, mas todos foram compreensivos e não me obrigaram a participar das aulas.
Mas no segundo período tive um professor bastante categórico, que se negou a me dispensar das práticas. Então abri um processo administrativo, que foi negado no inicio desse ano, quando começava o terceiro período. Foi mais ou menos nessa época que conheci o Róber [Bachinski, estudante de biologia da UFRGS que obteve sucesso numa ação ordinária contra a universidade por negarem seu pedido de objeção], pois ele estava no Rio fazendo um estágio. E foi ele que me deu força para buscar um advogado e entrar com a ação.
IN: Qual foi a postura inicial da universidade, e qual sua opinião sobre ela?
Juliana: A postura da universidade foi de negar o processo administrativo que foi aberto inicialmente. No entendimento deles eu estou na profissão errada. Mas acho um enorme contrasenso que pessoas que gostem de animais não possam cursar biologia.
IN: Como tem sido a repercussão entre seus colegas na biologia? E entre professores, algum apoio ou crítica?
Juliana: Entre os colegas acho que a repercussão têm sido boa. Apesar da grande maioria não concordar, percebo que eles estão abertos ao debate, e eu já considero isso um avanço. Já entre os professores encontro maior resistência. Mas espero que com o tempo as pessoas vão compreendendo melhor e percebendo que existem maneiras tão eficientes de passar o conhecimento quanto a tradicional, e que não impliquem em mortes desnecessárias.
IN: Como você está percebendo a repercussão que seu caso está tendo?
Juliana: Até agora acho que tem sido uma repercussão positiva. Houveram algumas distorções na mídia, mas nada de grande relevância. Acho que, no geral, tem servido para gerar o debate, e a sociedade precisa urgentemente debates esses temas e repensá-los.
IN: Algum recado para estudantes que possam estar na mesma situação que você?
Juliana: O único recado é pedir coragem: coragem para agir! Muitas pessoas ficam com medo de possíveis represálias de colegas e professores, e por isso não tomam nenhuma atitude. Alguns faltam as aulas de dissecção/vivissecção sem cobrar métodos substitutivos. Essa não é a postura correta. É preciso ter coragem para mudar esse paradigma.
IN: Pensa em desenvolver alguma pesquisa relacionada ao uso de animais?
Juliana: Sim. Estou buscando um professor para me orientar e espero que até semestre que vem eu já tenha iniciado meu projeto em métodos substitutivos ao uso de animais em ensino e ciência.





Esse caso serve pra dar coragem a outras pessoas que fazem ciências biológicas,como eu,a terem coragem de cobrar metodos sem dor e sofrimento.
É bem dificl,principalmente onde a região que eu moro,aqui no nordeste em ARACAJU-SE, as pessoas ainda são bem preconceituosas com o “novo” e bem mente “fechada” tbém,naqui não tem tanta gente disposta a discutir esse tipo de situação,e sei que infelizmente isso não acontece só na minha cidade não..
[RESPONDER]
Acho que o mesmo método que essa menina corajosa usou na faculdade, os religiosos tem que usar nas igrejas onde frequentam. Não faz sentido ir a igreja fazer jejuns e orações, e depois ir pra fila do açougue. Isso é egoísmo, eles não sabem oque estão fazendo. Se uma única igreja, uma única só, pregasse o respeito a criação de Deus a violencia no mundo diminuiria. Quem tem compaixão com os animais, também tem compaixão com os seus semelhantes, tem compaixão com as criançinhas e com os velhos, isso é fato não é teoria.
[RESPONDER]