por Ellen Augusta Valer de Freitas | O veganismo é caracterizado pelo ativismo, ou seja, os veganos são ativistas por excelência. Pelo menos é o que deveria ser. A acomodação natural da espécie humana, ainda mais hoje, nos faz achar que já está tudo bem, que nossa atitude já é o bastante, mas o ativista não pode pensar assim.
Lendo trechos do ‘EathForce: um guia de estratégia para o guerreiro da Terra’, escrito por Paul Watson há muito tempo, e publicado há pouco por aqui, senti que devemos estar sempre alertas para mudanças em nós e no mundo. Como guerreiros vigilantes, sem acomodação. Os veganos que não se importam com traços de ovos, leite e até mesmo de outros ingredientes de origem animal devem estar cientes de que estão, com essa atitude, deixando uma margem para questionamentos e críticas por parte de quem consome carne e quer mudar, e quem não quer e nunca irá mudar (sabemos todos nós que alguns monitoram tudo o que escrevemos e fazemos, pois não viveriam sem se incomodar, e muito, com a presença vegana).

A tolerância de traços também atinge um ponto importante, o político. Pois ao aceitar os traços, os ativistas também permitem que as empresas sigam sem se importar com veganos e intolerantes a lactose e derivados animais, o que é um desserviço para a causa animal. A rotulagem vegana é algo necessário e importante para que veganos possam saber o que estão consumindo. Na legislação brasileira não há uma definição para ‘traços’. Não se sabe a quantidade exata de traços de um determinado ingrediente e um sinal importante de que os famosos ‘traços’ estão presentes em muita quantidade é que os intolerantes a lactose e outros derivados animais logo passam mal com produtos que contêm traços. Todos devemos nos questionar se não é exagero seguir consumindo besteiras, sim, bobagens com traços, como bolachinhas recheadas, chocolates, chicletes (que podem até mesmo serem fabricados com couro animal) e outras coisas desnecessárias, deixando uma margem muito grande para um questionamento: se somos ativistas, por que paramos por aqui?
Se existem marcas de produtos que não contêm traços de origem animal ao lado do produto que se escolhe, sem se importar com este detalhe? Se alguém acha que estamos exagerando, também deveria se questionar por que então temos que seguir lendo rótulos de produtos ou usando apenas produtos não testados em animais? Os veganos fazem isso porque são ativistas, e esta é nossa diferença em relação às outras pessoas. Estamos constantemente ligados, procurando e pesquisando novas formas de viver sem ter que usar produtos de origem animal.
Ao questionarmos as empresas, fazemos um papel importante pois abrimos caminhos para substituição de produtos de origem animal por produtos alternativos. Ao não usarmos produtos que contnham traços e exigirmos que mais empresas fabriquem produtos em máquinas separadas das que produzem material com litros e litros de leite e ovos, estamos prestando um seviço à causa, às pessoas que possuem algum tipo de alergia e fazendo com que as empresas, cada vez mais, vejam os veganos como um novo mercado crescente. Consumir produtos que produzem traços, e que na sua maioria são futilidades como bolos de pacotes, chicletes, bolachinha recheada, chocolates, bolacha Maria, sendo que existem opções em todos estes produtos, não é aceitável para veganos. Se veganos mais recentes estão tendo dificuldades em sua região, devem procurar alternativas, que existem em todos os lugares. E por que não criar as alternativas? A força vegana está presente no mundo todo e é caracterizada pela criatividade e adaptação. Todos nós podemos consumir produtos que não tenham as lembranças da exploração animal e que chegam até o supermercado na forma de “pode conter traços de_____”.
O grupo Rio+Veg (rioveg.com), formado por ativistas de conhecidas ONGs brasileiras e por ativistas independentes, escolheu o ViSta-se como site oficial para publicar suas atividades em prol do tema “veganismo” na pauta da Rio+20. O conteúdo abaixo foi produzido pelo Rio+Veg.
O movimento Rio+Veg lançou neste final de semana um vídeo feito a partir de entrevistas a várias pessoas engajadas em movimentos socioambientais, respondendo à seguinte pergunta: "Você acha que a alimentação vegetariana deveria estar na pauta da Rio+20? Por que?". As respostas, ricas e diversas, propõem várias razões pelas quais essa questão é tão importante para o desenvolvimento sustentável. Assista ao vídeo abaixo ou no Youtube. Faça parte do movimento Rio+Veg! www.facebook.com/RioVeg www.twitter.com/RioVeg rioveg.com Contato: rioveg@rioveg.com
Traços: pegadas que a dor dos animais deixa nos alimentos:
por Ellen Augusta Valer de Freitas | O veganismo é c… http://t.co/6K9qLSSs
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Traços: pegadas que a dor dos animais deixa nos alimentos | Rede Social Vista-se http://t.co/mEonNzvb via @vista_se
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Eu realmente evito muitas marcas,mas é impossível ficar sem traços,também não dá para se isolar do mundo,na minha casa eu sou a única vegetariana,por conseguinte mesmo que eu prepare um alimento sem nada de origem animal,não posso dizer que meu alimento é sem traços,pois dividimos a mesma casa,talheres e panelas.
Acho legal evitar certas marcas,mas também acho legal incentivar marcas que procuram pelo menos lançar alguns produtos veganos.
Outro dia levei a um almoço uns brownies veganos e sem glúten,mas se alguém alergico me perguntasse se poderia comer,eu já não poderia garantir que não teria tracos de leite,ovo ou glúten.
Veganos não estão isolados do mundo, ao contrário. Quando assumimos uma posição, estamos tomando coragem, portanto estamos dentro do mundo, no nosso lugar. Só quem fica com medo do que os outros vão pensar é que estão fora do mundo, mas pensam que não estão.
Não estou falando em ser asséptico, é lógico que traços mínimos podem acontecer numa casa em que convivam outras pessoas que consomem carne. Não é o foco deste artigo. Estou falando de veganos que, por se acomodarem, não ligam para traços. A rotulagem de traços não foi feita para veganos, foi feita para quem come carne e tem algum tipo de alergia. Não é impossível viver sem traços. Meu marido é vegano há anos e desenvolveu intolerancia a traços. Se fosse impossível ele já teria morrido. É muito mais provável que as pessoas, apoiadas no "é difícil", "é impossível", digam com suas vidas acomodadas. Sou vegana, não consumo nada que contenha traços e sou uma pessoa que convive com diversas pessoas, como de tudo, doces, salgados, besteiras, tudo sem traços. E não tenho papas na língua para colocar minha posição. Pois se eu fosse diabética também não teria (mas neste caso, por que ninguém se incomoda?). Se esse seu bolinho é vegano mesmo ele não terá traços. Pode crer.
Eu não coloco nada de origem animal em meus alimentos,mas outras pessoas em minha casa consomem carne, ovos, leite,sinceramente eu não ligo de usar os mesmos utensílios,desde que lavados,isto já caracterizaria traços.
Também ponho bem forte o meu ponto de vista em relação a ser vegana,mas dependendo da marca não vou me importar com traços,se produtos de origem animal não fizerem parte da composição ou não fizerem parte da fabricação,mas todos bem sabem que 100% veganos não existem,hoje mesmo sujei a minha mão no mercado e tive que lavá-la,não dá p saber se aquele sabão que usei era vegano.Se for levar os traços tão a sério vou ter que deixar de beijar meu marido e meus filhos.
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Não acho que devemos nos importar tanto com traços. Eles só estão nos produtos porque a mesma empresa produz alimentos não veganos. Caso a população vegana cresca a ponto de uma marca parar de produzir produtos à base de leite e ovos, consequentemente parará a produção de alimentos veganos com traços.
repetindo, o foco do artigo não é ser asséptico. Não existe um ser 100% vegano, pois ser vegano é uma tendencia. Se formor no dentista, que testou todos os aparelhos e remédios em animais, já estaremos percebendo que não há como ser 100% vegano;. O artigo foi feito com outro propósito.
O ativista deve se preocupar com traços sim. As empresas não mudam simplesmente com o tempo, ou por que um mercado cresce. O mercado vegano já é grande, segundo o senso, e pesquisas feitas aqui em POA. Consumir traços é uma posição política acima de tudo. Como já expliquei acima. Temos sim outras coisas mais importantes a fazer, mas esta é uma provocação para os acomodados, e vem dando certo, pela repercussão. Dos traços de ovos e leite é muito fácil passar a comer traços de carne e outras coisas. Repetindo mais uma vez, os traços de que falo são os de empresas que produzem alimentos na mesma máquina. Essas empresas não se importam com a quantidade. A Batavo mudou a formulação de um iogurte impróprio para veganos, pois tinha o corante cochonilha, e depois de muitas pessoas escreverem para lá, e ela perceber – ato político – que esse público não podia consumir, substituiu por outro corante. O ativista não pode confiar no "tempo" e na boa vontade das empresas, o restante da população confia. Esse artigo é para os ativistas, não para quem só está preocupado com a saúde ou em não 'se sujar', ou em não se incomodar.
Mas neste caso específico da Batavo a cochonilha não era traços ela fazia parte da composição,traços são contaminações, sinceramente eu evito certas marcas como Batavo,Nestlá,Unilever,etc,mesmo que me ofereçãm um produto vegano,mas não dá p sempre evitar de consumir produtos veganos de marcas não veganas.
O caso da Yoki é um,onde a Vit D do leite de soja deles é sintetisada a partir de um derivado animal,eu não considero isto traços,considero parte da composição.
Mas realmente traços somente,eu não me importo,esta informação de traços foi feita para alertar alérgicos,realmente se não escrevessem na embalagem que contém traços,provavelmente nem saberiamos porque só veriamos os ingredientes veganos da composição.
Traduzo o comentário de um leitor em réplica a outrem quando o assunto foi comentado pelo abolicionista Gary Francione:
"Ouça: isto não é sobre quem é @ melhor vegan@, porém NÃO é tão difícil quanto você faz parecer. Se você viajar, planeje com antecedência. […] Suas refeições não precisam ser cursos de cinco estrelas. Coma para viver, não viva para comer.
Sabe o que acontece quando você se curva, retrogradamente, para fazer que o veganismo seja mais atrativo e acessível? Você tem vestimentas de couro, vegetarianos que comem laticínios e peixe, o que é examente o que Donald Watson [… fundador da Vegan Society] era contra. Quero dizer: onde estabelecemos limites?
Como Gary diz, as pessoas já vão proximar-se do veganismo na própria maneira delas. Vão trapacear, cometerão erros, mas não deveríamos estar encorajando-as a fazer isso. Precisamos fixar-nos ao veganismo como diretriz [linha de base, linha mestra] moral. […]
Deveras, não quero tornar isto pessoal. Apenas faça o possível, dê o seu melhor. Isso é tudo que qualquer um de nós pode realmente fazer.
Vivemos num mundo que é construído sobre a exploração dos animais e dos humanos, e não há de mudar do dia para noite.
Somente precisamos continuar lutando e continuar tentando. Nunca se curve aos exploradores. Faça que eles se curvem a nós [abolicionistas].
Se você errar, aprenda com seu erro e siga em frente. Há outr@s vegan@s aqui que estão sempres dispostos a compartilhar experiências, histórias, conselho e ajuda de qualquer maneira que possamos : )" http://vegan.fm/2y1
Às vezes eu me questiono se as pessoas sabem o que são traços, primeira questão.
Até porque o aviso de "contém traços" (ou "pode conter traços", que é a mesma coisa) não é sequer obrigatório, sendo risco da empresa informar ou não isso, justamente por não integrar o produto propriamente dito. Enquanto contaminação, traços são eventuais e são muito mais ligados a uma questão de higienização correta.
Pra mim, não vejo sentido colocar questionamento a traços como algo obrigatório no ativismo, até porque esses são conseqüência de um sistema e não causa ou origem. O produto com traços já não tem qualquer item de origem animal na formulação, independe desses e não precisa de qualquer mudança em si.
Não confundam traços com a discussão de "quantidades insignificantes" que tem ocorrido, o que pode ocorrer com aromatizantes, corantes ou ingredientes como soro de leite, por exemplo, mas que são intencionalmente adicionados ao produto. Nesse caso, independente da quantidade, o produto depende daquele produto pra ser produzido e em uma escala de produção industrial isso é muito relevante. Nessa questão, meu posicionamento é pelo não-consumo, pois se a quantidade é insignificante deveria ter sido substituído por um produto de origem vegetal com resultado semelhante.
Já traços significam que a empresa não produz apenas itens veganos e que algumas máquinas são compartilhadas durante a produção, mesmo após higienização.
Em menor escala, é o mesmo problema que muitos vegetarianos enfrentam em suas próprias casas, quando a compartilham com um não-vegetariano. Qualquer louça, mesmo lavada, pode ter traços de inúmeros produtos de origem animal. Por esse motivo, em casa de pessoas portadoras de alergias severas, louças não se misturam. Ainda, é possível verificar em fóruns de discussão que vários produtos sujeitos a traços são consumidos normalmente por alérgicos sem qualquer problema, o que indica um bom controle na produção e a inexistência real de qualquer produto de origem animal em itens sujeitos a traços.
Assim, a questão de consumir ou não traços, da forma como eu enxergo a questão, é meramente subjetiva/pessoal.
RT @vista_se: Traços: pegadas que a dor dos animais deixa nos alimentos #vistase http://t.co/q0VFTrTP
"O produto com traços já não tem qualquer item de origem animal na formulação, independe desses e não precisa de qualquer mudança em si." Se isso fosse verdade, o alérgico poderia comer um produto com traços… Se um alérgico a leite, por exemplo, não pode comer um produto com traços de leite, é porque o leite ainda está contido nesse item. Se não for isso, não entendi porque ele está proibido de comê-lo…