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Wilson Grassi, veterinário, fala sobre castração química

Publicado em 31 de março de 2009 em Artigos

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Esterilização química – vamos abrir os olhos!
Quanto mais eu me informei sobre o assunto, mais preocupado fiquei, e sugiro que todos, protetores e veterinários, também se preocupem.

São duas injeções de gluconato de zinco, de até 2,0 ml, aplicada uma em cada testículo, e talvez uma segunda dose tempos depois. Não precisa ser veterinário o aplicador. Com o tempo, o produto provoca uma isquemia e o testículo vai se transformando em uma fibrose. Se a aplicação provoca muita dor, não vou afirmar, mas posso desconfiar. Se o lento processo de fibrose provoca uma dor constante, ainda não sabemos. Em quantos animais surgirá uma ulceração e deverão ser posteriormente castrados, ainda não sabemos, mas temos más notícias vindas do co-irmão México. Se o depósito deste metal causará tumores com o passar dos anos, também ainda não sei, mas tem uma coisa que eu sei: jamais a um produto testado no Brasil em apenas 11 animais poderia ser consentida a venda e distribuição de milhares de doses.

O produto foi certificado no Ministério da Agricultura com um trabalho simplista e diminuto, e que só levou em conta se o produto causa esterilidade ou não. Uma afronta ao bom senso! Em momento algum foi avaliada a questão do bem-estar animal. Nenhum teste, dos vários disponíveis foi realizado neste sentido.

Jamais um produto para uso humano seria ou será liberado para uso em larga escala após testar em apenas onze pessoas. Por que para cães poderia? E muitas outras coisas ainda não entendi: porque um produto não usado nos EUA, nem na Europa, e mal sucedido no México, deve ser introduzido dessa forma no Brasil? Como empresários da industria farmacêutica, de uma hora para outra ficaram preocupados com o abandono de animais? Por que houve tanta ingenuidade de figuras conceituadas da proteção animal dando apoio a um projeto tão estapafúrdio e precipitado? Dos vários “pais” da criança, suspeito que nenhum teve a coragem de testar o produto em seus próprios animais, mas agora sugerem que as prefeituras façam de cobaias os já tão sofridos animais de rua ou de comunidades pobres das periferias. Pense na cena, capturar um animal abandonado, segurá-lo com as patas para cima, e no chão, aplicar lentamente duas injeções em seus testículos. Não consigo imaginar o sucesso. Impraticável sem anestesia, e crueldade se não for acompanhado de um protocolo de analgésicos e anti-inflamatórios. E se optar pela anestesia, acaba a vantagem financeira do negócio.

O futuro pode até me convencer que eu esteja errado, mas por hora fico com a impressão que estão nos confundindo com regiões africanas onde se fazem testes que os americanos não aceitam em suas terras. Fora isso tudo, todos sabem da inutilidade de se esterilizar parcialmente uma população de machos, sendo que apenas um remanescente poderia fecundar diversas fêmeas.

Até que várias questões se esclareçam e que trabalhos científicos amplos, que levem em consideração a saúde e o bem-estar dos animais, sejam efetivamente levados a termo, não recomendo este método de controle populacional e conclamo que a sociedade e em especial a Anclivepa-SP, Associação dos Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de São Paulo e o CRMV-SP, Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo, imediatamente acionem seus departamentos jurídicos para suspender a comercialização e a farta distribuição gratuita que está em curso deste produto. Aplico na questão do controle reprodutivo, um antigo ditado: Muito faz quem não atrapalha!

Wilson Grassi
Médico Veterinário crmv-sp 8611
Diretor da Associação dos Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de São Paulo
www.wilsonveterinario.com.br

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11 respostas para “Wilson Grassi, veterinário, fala sobre castração química”

  1. seliane disse:

    Nos meus amores, injeção no testículo, NEM PENSAR!!! Ficram loucos?
    Essa gente está mesmo perdendo a linha.
    Precisa fazer um controle de natalidade nessa gente, pra parar de nascer gente ruim.

  2. zanata disse:

    este glucomato de zinco 2 ml esterelisa o animal ou tira o desejo sexual

  3. Letícia disse:

    Sinceramente… O Mundo está mesmo perdido. Não consigo entender quanta covardia com um ser tão maravilhoso! Porque o teste não são feitos nos próprios fabricantes e da mesma forma, eles sim são uns irracionais! Não me conformo. Procurei saber o que era castração química, porque aqui onde moro, foi aprovado, e querem fazer isso com os animais, sendo que alguns protetores estão divulgando para o conhecimento da população, para tentar resolver de forma mais sensata! Eles querem mesmo é ganhar dinheiro, e pouco se importam com o bem estar dos animais. Essa é a grande verdade. Gostei muito dessas informações!

  4. arte veg disse:

    @profmarcelolima veja nesse link um texto sobre esse tipo de castração, é, no mínimo, cruel http://tinyurl.com/3ay65qe

  5. Aída F&aacute disse:

    achei muito bom esses exclaressimentos,não sabia nada sobre

    castração quimica para cães,foi bom eu saber.

    parabéns.

  6. Aída F&aacute disse:

    ops.corrigir

    esclarecimento

  7. maria das dores disse:

    adorei esses comentarios,eu já estava quase entrando nessa de

    castração quimica.

  8. maria das dores disse:

    adorei esse documentário, logo eu já estava quase

    entrando nessa de castração quimica.

  9. LUCIA NASARIO disse:

    A população deveria ser alertada,sobre os riscos,os prognósticos de medicamento, com certeza não estão preocupados com bem estar dos animais,vc já parou para pensar na dor desse animal que irá receber essa agulhada nos testículos? espero que os defenssores dos animais interfirão nisso.deveria era injetar nos testiculos de quem inventou pra ver se vai doer.

  10. Protetora disse:

    RT @vista_se: Wilson Grassi, veterinário, fala sobre castração química #vistase http://t.co/e7tQyeC

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