Ong Instituto Pró-Carne - Opinião do Dr.Marcio Bontempo

Quem lê os nossos textos sobre os danos provocados pelo consumo de carne - principalmente a bovina - pode perceber que existe uma escala, onde atribuímos alguns graus à forma como as pessoas discernem sobre essa questão.

Há vários modos pelos quais uma pessoa pode se convencer de que deve parar com esse troglodítico hábito, variando desde questões ambientais, passando por questões morais, sentimentais, econômicas, religiosas, espirituais, filosóficas, morais, éticas, até chegar aos sérios e contundentes argumentos ligados à esfera da saúde. Percebemos que esses diferentes aspectos “tocam” as pessoas segundo o seu grau de entendimento e tornam-se fatores principais e convincentes, capazes de influenciar a decisão de adotar uma dieta inteligente e humana, ou seja: a vegetariana.

Penso que muitos, os mais sensíveis, são convencidos pela totalidade desses fatores, mas há aqueles para os quais apenas um fator é suficiente. Há conhecidos e clientes que mudaram por preocupação com a saúde. Há leitores meus, ecologistas sensíveis, que pararam de comer carne devido a questões ambientais. Tanto fatores gerais quanto particulares são elementos de convencimento para a mudança. E incluo que é fantástico quando uma pessoa assim mudada, passa a militar em favor da causa do vegetarianismo, numa espécie de apoteose.

Mas há o outro lado da moeda. Verifico que existem aqueles que relutam, que buscam argumentos (frequentemente infantis, grotescos e bisonhos) e pretextos para continuarem a comer carne. Percebe-se que essas pessoas não apresentam o grau de sensibilidade, de discernimento e até de intelectualidade, para perceber o erro.

Sinceramente, identifico uma incapacidade espiritual, uma “tacanhez” (data vênia ao o chulo neologismo) que as mantêm nas dimensões inferiores dos planos evolutivos. Os argumentos mais empregados aparecem para justificar uma incapacidade de superar instintos inferiores e impulsos atávicos da era pré-histórica.

Mais modernamente entendemos que o prazer pela carne é uma dependência gerada por uma oralidade não resolvida, um processo neurótico ou estágio psíquico atrasado, que provoca ansiedade alimentar ou prazer imoderado no comer. Então temos dois grupos: o das pessoas que se conscientizam de que devem parar e aqueles que, mesmo depois de ouvirem argumentos contundentes, continuam a fazê-lo.

Mas assim como no primeiro grupo existem alguns passam a militar pela causa, no segundo, também existem aqueles que se dedicam difundir o hábito da comer cadáveres temperados e queimados, como sendo algo - pasmem ! – saudável. Estes são piores do que os simples adeptos dos duvidosos prazeres da carne, ou seja, aqueles que se limitam a emitir os surrados clichês em defesa desse hábito.

A ONG Instituto Pró-Carne é a confederação, o valhacouto dos carnívoros que representam o lado extremado do habito insano. São exatamente o oposto daqueles que militam pela causa da consciência alimentar. São eles que criaram uma sinistra campanha que ora mobilizam nacionalmente, em favor do consumo de carne.

Certamente que não atuam assim por ideal, pois, por estarem engajados numa atividades dessas, não devem ter alcance para saberem que é isso (um ideal); assim agem - em sua mentalidade tosca – por se permitirem a serem marionetes dos interesses do empresariado pecuarista. Com o avanço do vegetarianismo e da consciência alimentar, a classe sem classe dos criadores de gado está procurando proteger seus lucros através do estímulo ao consumo da carne e, para isso, precisa de pessoas de poucas luzes espirituais.

É lamentável que se tenha criado uma campanha dessas e a passem adiante. Vamos torcer para que esse manifesto da Pró carne seja “mal passado”, assim como os nacos de vaca semi-crua que tanto veneram.

Slogan da Campanha Pró-Carne: Coma carne: é saborosa, é saudável, é natural.

Contra slogan: Não coma carne! É saborosa somente se tiver sal e for temperada com ervas, senão é intragável; nem carnívoro come. É saudável apenas para os lucros dos empresários. É natural que quem criou este slogan não sabe o que é “natural”.

Slogan da Campanha Pró-Carne: Carne, você gosta, você pode, você precisa.

Contra slogan: Você gosta porque ainda tem instintos inferiores! Você pode…ficar doente comendo-a… Você precisa…ter consciência e parar.

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