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Ruralistas pressionam por reserva legal menor

Não satisfeitos com os últimos aumentos anuais dos índices de desmatamento da Amazônia, os pecuaristas, sojicultores* e madeireiros da região mobilizam a bancada ruralista no Congresso para pressionar pela mudança da legislação ambiental do país.

A pressão dos deputados federais e senadores ligados ao setor patronal rural mira na mudança do principal mecanismo legal que impede ou retarda o desmoronamento total da maior florestal tropical do planeta. Trata-se da redução da reserva legal, mecanismo que impõe na Amazônia a obrigatoriedade da preservação, com mata nativa, de 80% de suas propriedades.
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O CUSTO DA CARNE PARA O MEIO AMBIENTE

Texto de Cláudia Poggeto no jornal Correio Popular (Campinas) em 29/4/2008

A simples identificação dos fatores que geram maior degradação
ambiental pelas atividades econômicas que envolvem criação de animais para abate e posterior alimentação humana, por si, já favorece o entendimento da necessidade de uma mudança profunda no modo como indivíduos e sociedade encaram e se relacionam com o meio ambiente e indica a urgência em repensar – e reinventar! – os paradigmas de consumo global, como uma das principais alternativas viáveis para evitar as grandes catástrofes que se anunciam com tanto vigor.

Tanto se fala em aquecimento global e na conscientização do homem para conter o estrago na natureza por ele mesmo já instalado. Não ouço, porém, nos meios de comunicação, nem tão pouco nos programas que incentivam a preservação do meio ambiente, alguém sequer comentar que um dos principais fatores, causadores de todo desequilíbrio e suas conseqüências, que hoje enfrentamos é o consumo exagerado de carnes e seus derivados. Veja abaixo, contudo, parte da cartilha com informações alarmantes que a Sociedade Vegetariana Brasileira (www.svb.org.br) elaborou com base nas pesquisas de órgãos neutros, como por exemplo CETESB, IBGE, Instituto Cepa, Sabesp entre outros.

A prioridade que o Brasil escolheu dar ao agronegócio é, para dizer o
mínimo, discutível. A insustentabilidade desse modelo, que destrói
nossos biomas, contradiz o projeto de erradicação da fome dos
brasileiros, pois, como se sabe, o agronegócio é primordialmente
voltado para a exportação. A soja que devasta o Cerrado e invade a
Amazônia não vira alimento para pessoas, é exportada e transformada em ração de bois, frangos, porcos e peixes criados em cativeiro. Enquanto isso, fome e desnutrição assolam quase metade da população mundial.

Metade da agricultura mundial é voltada para a produção de ração para
animais. E a carne dos animais abatidos é acessível a menos de 15% dos seres humanos.

No Brasil, segundo o Instituto CEPA, um boi precisa de um a quatro
hectares de terra e produz, em média, 210 kg de carne, no período de
quatro a cinco anos. No mesmo tempo e na mesma quantidade de terra,
produz-se, em média 8 ton. de feijão ou 19 ton. de arroz ou 23 ton. de trigo ou 44 ton. de batata, e assim por diante.

Um relatório alarmante da FAO, publicado em 2006, indica que os
“estoques de animais vivos” mantidos para alimentação humana têm mais responsabilidade pelas mudanças climáticas do que todos os veículos automotores do mundo somados! No total, nada menos de 18% da emissão de todos os gases causadores do aquecimento global são gerados apenas pelas indústrias da carne.

Uma fazenda com 5 mil bovinos produz a mesma quantidade de excrementos de uma cidade com 50 mil habitantes. Nos Estados Unidos, a produção de excrementos de animais é de 104 mil kg por segundo!

Ao se falar em evitar o desperdício de água, as dicas são as de
sempre: fechar a torneira ao escovar os dentes, não lavar a calçada,
etc. Como consumidores conscientes, podemos ir muito além. No Brasil,
45% da água doce é gasta na pecuária e 45 milhões de pessoas não têm acesso à água potável. Neste país, a pecuária utiliza e contamina, em sua cadeia produtiva, mais água do que as cidades. Enquanto são
necessários menos de 500 litros de água para se obter 1 kg de soja,
para produzir 1 kg de carne bovina gastam-se até 15 mil litros de
água. Por isso, o vegetarianismo deve ser considerado com uma das
formas mais eficientes para economizar água.

O impacto ambiental da pecuária sobre o solo é fora de série, pois a
maior parte dos bovinos é criada pelo sistema extensivo: cada cabeça
de gado precisa, no mínimo, de um hectare (10 mil m2) de pasto para
engordar. Nossos rebanhos já contabilizam 200 milhões de cabeças e a
pecuária ocupa mais de 250 milhões de hectares, quase um terço do
território nacional! Essa ocupação desmedida do solo compromete nossa
terra de várias maneiras.

Entre 2002 e 2005, foram desmatados 70 mil km2 na Amazônia. Do
cerrado, que contém um terço da biodiversidade brasileira, hoje restam
20%. E menos de 7% da Mata Atlântica está de pé.

Conclui-se, portanto, que o vegetarianismo tem uma contribuição
inequívoca a dar em termos de produtividade. Qualquer projeto cuja
meta seja o combate à fome e a implementação de um sistema produtivo sustentável, em que o uso da terra seja otimizado de forma a
satisfazer as necessidades do maior número possível de pessoas,
deverá, obrigatoriamente, considerar a ênfase no vegetarianismo.

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McCartney propõe dieta vegetariana contra problemas climáticos

O ex-Beatle Paul McCartney está exortando o mundo a optar pela alimentação vegetariana como medida de combate ao aquecimento global e se diz surpreso pelo fato de mais grupos ambientalistas não estarem fazendo o mesmo.

Em entrevista concedida ao grupo de defesa dos direitos dos animais Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), McCartney disse que a indústria mundial de carne é um dos grandes fatores que contribuem para o aquecimento global. Uma transcrição de sua entrevista à Peta foi entregue à Reuters.

“A maior mudança que qualquer pessoa pode fazer em seu próprio estilo de vida é tornar-se vegetariana”, disse McCartney, vegetariano há muitos anos. “Exorto a todos que dêem esse passo simples para ajudar o meio ambiente e salvá-lo para as crianças do futuro”.

McCartney disse que a quantidade de terra e água usada para manter a indústria da carne faz desta uma dos grandes fatores que contribuem para as mudanças climáticas e queixou-se de que a maioria dos grupos ambientalistas não cita a opção vegetariana como uma de suas principais prioridades.

“É muito surpreendente que a maioria das grandes organizações ambientalistas deixe a opção de tornar-se vegetariano de fora de suas listas das principais sugestões para frear o aquecimento global”, disse ele.

Um relatório de 2006 da ONU constatou que a criação de gado gera mais gases causadores do efeito estufa que os transportes.

Fonte

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Impacto da Pecuária Bovina no Brasil

Resumo da palestra proferida por Adriana da Conceição (bióloga com especialização em Gestão Ambiental)

Um pouco da História

- Primeiros impactos no mundo: pastores transformaram florestas em savanas, devido à prática da queimada e pisoteio do gado.
- Ocorreu principalmente no Mediterrâneo e Oriente Próximo.
- No Brasil causou grande impacto na devastação da Mata Atlântica (hoje só restam 7% da mata original).

Impactos na água

- 1 kg carne consome 20.000 l/água
(comparar com arroz=4.500, trigo=1.500, batata=150)
- um matadouro grande em São Paulo gasta 4.250.000 l/água/dia
- uma pessoa que consome 35kg/carne/ano (média brasileira) pode chegar a gastar 700.000 l/água/ano

Impactos na ocupação de terras

- 1/3 da produção agrícola mundial vai para o gado.
- Ocupa 75% das terras produtivas brasileiras (não adianta confinar o gado, pois o mesmo pode comer 7kg ração para produzir 1kg de carne).

Devastação da Amazônia

- Pecuária: principal causa de desmatamento
(2º é a soja – veja mais em: http://www.reporterbrasil.org.br/clipping.php?id=50 )
- Ocupa um área igual a região sul do Brasil em gado na Amazônia + uma região igual a área do Paraná em pasto abandonado)
- Pecuária contribuiu com 80% do total do trabalho escravo na região em 2004 e 62% em 2007.

Devastação do Pantanal

- Introdução de capim que tem devastado a vegetação local
- Fazendeiros e carvoarias: parcerias
- Provoca assoreamento dos rios da região

Savanas - pode-se dizer que a savana é uma formação vegetal herbácea (ervas) alta, atingindo nalgumas regiões os 2 metros de altura, e “salpicada” de algumas árvores e arbustos.
Assoreamento - são os processos erosivos, causado pelas águas, ventos e processos químicos, antrópicos e físicos que desagregam os solos e rochas formando sedimentos que serão transportados. O depósito destes sedimentos constitui o fenômeno do assoreamento.

Aquecimento Global (aumento do efeito estufa)

- Pecuária foi declarada pior que os automóveis.
- Vegetarianos geram menos 1.485 kg/CO2/ ano.
- No Brasil: maior emissão de CO2 pelas queimadas da Amazônia, de metano (arroto de mais de 200 milhões de bovinos) e óxido nitroso (esterco).
- No mundo: maior emissão de metano e óxido nitroso também
- Rendimento de terras – veja texto abaixo

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR770746010,00.html
“O raciocínio é matemático”, diz Greif. Para ele, alimentar os bois com pasto ou grãos é o meio menos eficiente de gerar calorias. A produção de grãos de uma fazenda com 100 hectares pode alimentar 1.100 pessoas comendo soja, ou 2.500 com milho. Se a produção dessa área for usada para ração bovina ou pasto, a carne produzida alimentaria o equivalente a oito pessoas. A criação de frangos e porcos também afeta as florestas. Para alimentar esses animais, é necessário derrubar árvores para plantar soja e produzir ração. Mas, na relação custo-benefício entre espaço, recursos naturais e ganho calórico, o boi é o pior. ”

Vantagens na saúde

- Diabetes: risco 80% menor em contrair doença
- Pressão arterial mais baixa.
- Redução doença cardíaca.
- Doenças renais menos incidentes.
- Veganos: mais saudáveis

Doenças ligadas ao consumo de carne

- Cardíacas
- Parkinson: UNIFESP - pacientes melhoraram 70% sem carne
- Artrite e infecções: molécula estranha da carne provoca estas infecções
- Câncer e danos ao DNA - pesquisa britânica
- Câncer de próstata: INCA e pesquisa na Califórnia
- Câncer de intestino: várias pesquisas e uma que foi uma das maiores da Europa com 500 mil pessoas em 10 anos
- Câncer de mama - Harvard - dobro do risco

Referências e recomendações de sites e livros:

FAO
PNUMA
EMBRAPA
CETESB
http://www.svb.org.br/
http://www.guiavegano.com/

Leite Alimento ou Veneno? (COHEN)
Pegada Ecológica e Sustentabilidade Humana (DIAS)
O Livro de Ouro da Amazônia (MEIRELLES FILHO)
Fundamentos do Vegetarianismo (WINCLER, MARLY)
DVD: “A carne é fraca” - Instituto Nina Rosa

FONTE

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Parar de comer carne pode salvar a Amazônia?

Militantes e cientistas afirmam que a pecuária bovina está destruindo as florestas e propõem um boicote
por Juliana Arini

APETITE
Meirelles no Mercado Ver-o-Peso,
em Belém.
Ex-administrador de fazendas,
ele largou o negócio para militar
contra a carne

João Meirelles Filho pertence à terceira geração de pecuaristas em sua família. Formado em Administração, passou dez anos gerindo fazendas de gado em Mato Grosso do Sul. No fim da década de 90, sua carreira mudou. Com a chegada do ecoturismo à região, Meirelles acordou para os impactos ambientais de algumas atividades, como a pecuária. Deixou de comer carne. Largou as fazendas e mudou-se para Belém, onde fundou uma ONG para defender a Amazônia. Hoje, vegetariano, é um dos que pregam a redução no consumo de carne bovina para salvar a floresta. “Parei de comer carne aos 40 anos”, diz. “É prova de que qualquer um pode mudar seus hábitos.”

Meirelles faz parte de um movimento que cresce em todo o mundo. Para essas pessoas, os bifes de nossas refeições diárias são a causa da destruição de vários ecossistemas naturais, como a Amazônia. É uma idéia incômoda, mas tem lógica. Afinal, 78% do desmatamento na Amazônia aconteceu para abrir espaço para os pastos, segundo o Instituto Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O argumento é que, se o consumo de carne cair, também se reduz a pressão para expansão dos pastos sobre a floresta. Mas reduzir o consumo de carne - ou boicotá-la - vai mesmo preservar a floresta?

Os pecuaristas desmataram uma área equivalente ao Estado de Minas Gerais na Amazônia
Parar de comer carne sempre foi a bandeira dos vegetarianos. Suas razões eram principalmente a saúde humana e os direitos dos animais. Hoje, o foco mudou. “Agora o meio ambiente pesa na decisão de não comer carne”, diz o biólogo Sérgio Greif, da Sociedade Vegetariana Brasileira. Um dos pioneiros nessa nova onda foi o pesquisador britânico Norman Myers, da Universidade de Oxford, um dos mais respeitados naturalistas do mundo. Na década de 80, criou o termo”Conexão Hambúrguer” para ligar o consumo de carne nas redes de fast-food dos Estados Unidos à destruição das florestas na América Central.

Um dossiê inspirado no termo de Myers foi feito em 2003 pelo Centro para Pesquisa Florestal Internacional, desta vez sobre a Amazônia. De lá para cá, a causa só cresceu.

Um dos mais expoentes adeptos da campanha por menos carne e mais florestas é o biólogo americano Edward Wilson, da Universidade Harvard. Segundo ele, só será possível alimentar a população mundial no fim do século, estimada em 10 bilhões de pessoas, se todos forem vegetarianos. “O raciocínio é matemático”, diz Greif. Para ele, alimentar os bois com pasto ou grãos é o meio menos eficiente de gerar calorias. A produção de grãos de uma fazenda com 100 hectares pode alimentar 1.100 pessoas comendo soja, ou 2.500 com milho. Se a produção dessa área for usada para ração bovina ou pasto, a carne produzida alimentaria o equivalente a oito pessoas. A criação de frangos e porcos também afeta as florestas. Para alimentar esses animais, é necessário derrubar árvores para plantar soja e produzir ração. Mas, na relação custo-benefício entre espaço, recursos naturais e ganho calórico, o boi é o pior.

O gado tem sido considerado o grande vilão da Amazônia. Hoje, o Brasil mantém 195 milhões de bovinos. Há mais bois que pessoas. Cerca de 35% desse rebanho está na Amazônia. Para alimentar o gado, os pecuaristas desmataram uma área de 550 quilômetros quadrados, o equivalente ao Estado de Minas Gerais. Criados livres no campo, sem ração, os bois precisam todo ano de novas áreas derrubadas para a formação de pasto.

A pecuária na região está ligada à ocupação irregular de terras públicas. As terras da região pertencem ao Estado e em sua grande maioria foram tomadas na forma de posse. “Sem ter de pagar pela terra, fica mais barato produzir lá que no Sul e no Sudeste”, diz Paulo Barreto, do Imazon. Para comprovar a posse da área tomada, o fazendeiro precisa mostrar que a terra é produtiva. “Para isso também servem os bois”, afirma Barreto.

Além disso, segundo o Banco Mundial, o modelo regional de pecuária não traz o desenvolvimento. Seria até o contrário. Primeiro, porque a disputa por terras públicas faz a Amazônia ter um índice alto de assassinatos no campo. Cinco dos dez municípios mais violentos do país estão na região. Dados do Banco Mundial também demonstram que os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) das cidades com grandes rebanhos são similares aos dos países mais pobres do mundo.

A tendência é que os bois avancem mais sobre a floresta, para atender a uma demanda crescente de carne para exportação. Hoje, 10% dos bois abatidos na Amazônia abastecem o mercado internacional. O grande obstáculo é a ocorrência de febre aftosa no rebanho da região. O Ministério da Agricultura, os produtores e os pesquisadores acreditam que, com a erradicação da doença, o rebanho pode até duplicar para atender à demanda internacional.

PELAS PLANTAS
O biólogo Sérgio Greif em
um mercado de São Paulo:
“Só o vegetarianismo pode
salvar o mundo da fome”

Diante desse quadro, pregar a redução no consumo de carne faz sentido. Isso não quer dizer que funcione. Para o próprio coordenador do Greenpeace na Amazônia, Paulo Adário, a idéia de salvar a floresta pela campanha contra o consumo de carne é “problemática”. O primeiro obstáculo, para ele, é o gosto do brasileiro pelo churrasco. “Não somos um país culturalmente vegetariano”, diz Adário. “Essa redução é mais fácil em alguns países, em outros não.” O segundo obstáculo é convencer a parcela da população que acabou de comemorar sua ascensão social, com acesso à carne, a abrir mão do churrasco no fim de semana. Com a desvalorização do dólar e a estabilização da economia mundial, muitas pessoas começaram a comer seus primeiros bifes diários nos últimos dez anos. Essa mudança de hábito alimentar é mundial. Aconteceu no Nordeste brasileiro e até na China, abrindo um novo mercado para a carne. “Falar para essa população que agora ela não pode comer carne pelo bem da Amazônia é, no mínimo, cruel.”

A solução pode ser um caminho intermediário. Parte dela passaria por uma redução - e não um abandono completo - do consumo de carne. Um brasileiro consome, em média, 38 quilos de carne bovina por ano. “Se optássemos por comer carne apenas três vezes por semana, em vez de todos os dias, a demanda seria menor”, diz Meirelles. “É uma boa opção para os que possuem poder aquisitivo e acesso a outros tipos alimentos.”

Um primeiro efeito na redução do consumo de carne, por paradoxal que pareça, pode ser um aumento na quantidade de bois. Uma situação similar já aconteceu com a entrada dos grandes frigoríficos na Amazônia, há sete anos. Eles baixaram o preço pago ao pecuarista. “Tivemos de aumentar o rebanho para compensar a queda”, diz Ronaldo Freitas, pecuarista de Rondônia. Por outro lado, caso a redução no consumo de carne persista e faça a pecuária ficar menos lucrativa, os pecuaristas podem, a longo prazo, reduzir os rebanhos. “Sem comprador, o melhor seria mudar de atividade”, diz Freitas.
Uma nova técnica da Embrapa permite criar quatro vezes mais bois sem derrubar a floresta

Independentemente das campanhas, existem formas de produzir carne sem destruir a floresta. É o que afirma Marcelo Lessa, coordenador de agronegócio do IFC, braço do Banco Mundial que investe no setor privado. Ele está tentando mudar os critérios de compra dos frigoríficos naAmazônia. “É uma aposta para frear o avanço da pecuária predatória”, diz. Neste ano, o IFC começou a investir nos frigoríficos da região. Em troca, estabeleceu regras para a compra de carne. Nos próximos dois meses, os frigoríficos não poderão comprar de fazendas que tenham multas ambientais, estejam envolvidas em grilagem de terras ou tenham denúncias de trabalho escravo. Dentro de dois anos, vão exigir a regularização fundiária das fazendas fornecedoras.

Outra esperança é uma nova técnica agrícola desenvolvida pela Embrapa. O projeto é transformar áreas usadas apenas para pecuária num uso misto, com pastos, lavoura e até manejo florestal. O agricultor faz uma rotação dessas culturas em seu terreno. O gado é alimentado com grãos produzidos na propriedade. Com isso, uma área com 0,7 boi por hectare pode manter um rebanho quatro vezes maior. Gera até um excedente de grãos para venda externa. “Podemos continuar a comer carne sem precisar derrubar mais nenhuma árvore”, afirma Barreto, do Imazon.

FONTE

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