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19/07/2010 às 15:33 – 170 visualizações

Somos todos iguais

Fabio Chaves
Do Vista-se

Muitos de nós, que escolhemos seguir esse caminho de bem-estar animal, nos deparamos, eventualmente, com a seguinte pergunta: “ você não come carne? Então você é vegetariano?”, e muitas das vezes rótulos como “vegetariano” ou “vegano”, “ovo-lacto vegetariano”, etc., é nossa resposta.  Porém, o que é ser vegetariano? É ter a capacidade de saber olhar para aquela criatura viva, e saber que sua vida é tão valiosa quanto a minha; é saber ouvir o grito de agonia das mesmas criaturas que sofrem por todos os lados, e não só ouvi-los mas ajudá-los; é saber o valor de cada um no universo em que vivemos, dar valor a tudo que nos rodeia; é não ter um pré-conceito sobre vidas consideradas por parcela de nossa raça como inferiores; enfim, é nos tornar conscientes. Conscientes de tudo que nos diz respeito à vida.

Consciência. [do lat. Conscientia.] 1. Atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se define por uma oposição básica: é o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo ( e, posteriormente, em relação aos chamados estados interiores, subjetivos) aquela distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração. (…) 6. Cuidado com que se executa o trabalho, dever; senso de responsabilidade. 7. Honradez, retidão, probidade.
(Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª Edição 1986, p. 457).

Ser consciente é ser responsável. Pelo quê? Por tudo que nos rodeia. Uma pessoa que se diz vegana é consciente. Consciente do mal que estaria fazendo se continuasse a comer o mundo. Uma pessoa que se diz contra o preconceito racial é consciente. Consciente do mal que estaria fazendo ao ignorar o semelhante a ele, o “diferente”. O mesmo acontece àqueles que se dizem a favor da homossexualidade, ou contra qualquer tipo de preconceito. Seja em relação à raça, sexo, ou espécie.

Para chegarmos a níveis mais altos de integração é preciso que deixemos de lado o preconceito. Ser contra o abolicionismo, tempos atrás, foi visto por muitos escravocratas como apenas uma fase, um “estilo de vida”. Eventualmente aqueles loucos iriam desistir. O mesmo aconteceu e ainda acontece com os homossexuais, que ainda lutam para ser aceitos na sociedade como “normais”. Muitos dizem “ser homossexual é só uma fase”, ou um “estilo de vida”.  Não nos esqueçamos o papel da mulher no mundo, sempre tratada como “objeto, que você usa e joga fora, depois de ter prazer”, as feministas eram tratadas como loucas, verdadeiras “bruxas”, todavia, eventualmente, iriam resignar-se diante os homens covardes.

A humanidade tem evoluído vagarosamente, temos passado várias fases, temos abandonado diversos preconceitos a fim de fazer deste inferno um novo céu. Por exemplo, uma pessoa que se diz vegana, mas tem aversão a casais homossexuais de mãos dadas nas ruas, não é uma pessoa consciente. Se ela ama os animais, a ponto de deixar de comer carne, mas mesmo assim tem coragem de matar uma formiga sequer, não é consciente. Ou ainda, um vegano que só aceita outros como ele, ou seja, “veganos” como amigos, não é consciente. Se eu não tenho preconceito para com um animal, por que teria com uma pessoa? É simplesmente lógica.

Ser consciente é ter honradez. Se sentir honrado em aceitar as diferenças. Aceitar o “novo”, que há muito já existia. Honrar toda e qualquer criatura na face da Terra. E até fora dela. Honrar sua vida e a dos outros, que aqui também estão honrando a sua. Ser consciente de que nossa espécie depende de outras espécies para viver, não para só sobreviver. Ser consciente é sentir-se honrado em permitir que outros possam sentir a honra de viver.

É hora de aceitarmos que o vegetarianismo é apenas um passo a mais na evolução do homem. Que nós não apenas estejamos juntos, mas que sejamos juntos. Ser vegetariano não é escolher um time, não é escolher um lado. Ser vegetariano é apenas mais um degrau para a eventual perfeição.

Quando for perguntado algum dia desses:

- É vegetariano?

Reflita, e sorria:

- Não, sou consciente.

Pensem nisso.

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